Solidariedade brasileira onipresente | Riobrasil Noticias
espanhol ingles portugues brasil alemao italiano Chines


Solidariedade brasileira onipresente

Solidariedade brasileira onipresente

25/06/2024 12:15:00 | Região Sul | Fonte: Jornal em Destaque

Por:
Marco Juarez Reichert



 



Mais uma catástrofe climática severa se estabeleceu em
território brasileiro, desta feita com inundações batendo recordes no estado do
Rio Grande do Sul, não só em volume das chuvas e nível de rios e lagos, mas no
número de municípios gaúchos atingidos pelas cheias e mais ainda, no ubíquo
sofrimento de uma enorme parcela da população.



Muitos pereceram com as enxurradas, famílias inteiras
dizimadas, outros ainda desparecidos, casas, apartamentos, empresas de todos os
portes inviabilizadas de operarem, quer pelas águas que adentraram em suas
instalações, quer pela falta de energia, ou pela falta dos seus trabalhadores,
que perderam tudo e sequer tem como se deslocar ao trabalho, já que sem casas,
ficam em abrigos e tampouco as estradas estão ligando as diferentes regiões do
estado. Pontes e estradas destruídas, ou soterradas por deslizamentos das
encostas dos morros, cujo solo virou uma pasta liquefeita pelas chuvas. Animais
em grande número morreram afogados ou foram carregados pelos rios para muito
longe de sua origem. Algumas cidades pequenas só constam nos mapas, porque não
existem mais. Noutras, bairros inteiros estão virados em destroços, lembrando
os efeitos devastadores do Furacão Katrina, nos EUA (2005). Talvez o pior em
termos de infraestrutura aconteceu no Aeroporto Internacional Salgado Filho de
Porto Alegre, vital para a economia do estado e de relevância para o país. Os
danos nem conseguem ser totalmente mensurados. Essa avaliação levará um tempo
para estar concluída. Talvez ele nem volte a operar em 2024. Saberemos mais
adiante.



Sim, algo extraordinariamente bom aflorou em meio a toda
essa desgraça: a solidariedade da população gaúcha e dos demais estados do
país. O voluntarismo da população, sem qualquer outro interesse espúrio, merece
nosso reconhecimento e gratidão. Não fossem eles, os danos seriam,
categoricamente, piores. Voluntários anônimos vieram de todas as partes,
inúmeros deles de muito longe, com a determinação e a coragem, com o objetivo
de ajudar ao próximo, seus irmãos brasileiros. Eles rebocaram jet-skis, embarcações
diversas, dirigiram seus veículos repletos de roupas e víveres, deixaram suas
famílias para ajudar nos resgates, na organização e distribuição dessas
doações. Incontáveis foram os brasileiros que fizeram donativos. Os voluntários
mal se alimentavam e dormiam nesses dias. Dedicação por longas horas, com raros
momentos de descanso. Configurou-se aqui a maior ajuda humanitária que se viu
na história brasileira. O país todo abraçou os afetados pelas cheias, em grande
parte consternada e se compadecendo do sofrimento alheio, externalizando em
suas preces o desejo de ver melhores dias para a população irmã. Vieram doações
de organizações, do povo, dos empresários, e mesmo do exterior, pois a
repercussão foi internacional. O momento de solidariedade superou todas as
diferenças pequenas e desprezíveis, entre regiões brasileiras, entre ideologias
políticas distintas, entre pobres e ricos, todos imbuídos em ajudar e sentindo
a dor dos seus compatriotas desolados. Pelo menos para a maioria dos
brasileiros. Claro, há execráveis exceções, que nem vão merecer comentários
aqui.



A abordagem acima é sabida de todos, mas tão logo as
águas voltarem aos seus níveis normais, vem um período longo de dificuldades
financeiras, de habitação e de sobrevivência de centenas de milhares de
pessoas. Vamos ter um longo tempo de recuperação do estado. A infraestrutura
danificada (rodovias, pontes, aeroporto, diques e estações de bombeamento de
água) precisa ser imediatamente reconstruída e aí entram os agentes públicos.
As famílias que perderam suas casas precisam ser realocadas e receberem casas dignas
para viverem e em locais imunes às cheias. Não adianta oferecer financiamento.
É o caso de verbas a fundo perdido, pois como vão financiar algo se não sabem
nem onde e nem quando terão empregos novamente, ou se vão empreender mais uma
vez, já que seus negócios “evaporaram”. As esferas públicas (município, estados
e união), se quiserem, encontrarão formas de garantir esses recursos.
  Todos os poderes deveriam renunciar a certos
gastos e privilégios e direcionar ao estado que representa um PIB próximo a 6%
do produto interno bruto de todo o país. Só a indústria gaúcha abriga mais de
800 mil trabalhadores formais e ela está, em boa parte, sem um norte, a não ser
o de suas próprias convicções e de suas entidades de classe. A economia precisa
voltar a se movimentar o quanto antes, até para evitar uma desgraça maior ainda
na população que vive no RS. O sofrimento mental é algo certo, que atingiu
milhões de pessoas e que vai se agravar naqueles diretamente afetados pelos
acontecimentos. É imprevisível o dano moral, com a dignidade humana abalada
desta parcela de brasileiros sulistas, a exemplo de outras gravíssimas
tragédias em diversas regiões do Brasil, nas últimas décadas.



A saúde pública precisará de um investimento urgente para
atender ao público sofrido, deprimido e desorientado. É vital para este grande
grupo de seres humanos, ter uma expectativa de dias melhores, de que vale a
pena seguir vivendo. Apoio de profissionais da saúde, reconstrução de hospitais
e melhorias em toda a cadeia é mister, não devendo ser considerado uma despesa,
mas um investimento na população para o seu bem-estar social. Não podemos nos
permitir que os prazos fiquem apenas em promessas eleitoreiras da classe
política. Aliás, que as autoridades da segurança redobrem suas atenções, pois
um povo desesperado fica incontrolável e aí um conflito, antes inimaginável, poderá
aflorar.



Para finalizar, é bom frisar que aqui no RS, como em
qualquer estado, temos muitos habitantes oriundos de outros unidades da
federação e do exterior. Nem todos são gaúchos natos, mas todos que aqui vivem
foram direta ou indiretamente afetados pelo desastre ambiental em questão e ao
mesmo tempo são gratos aos demais brasileiros. O gaúcho se sente comovido pela
compaixão, união e benevolência do povo brasileiro. Esse é um novo estereótipo
do nosso povo. Ainda há esperança de ver essa nação prosperar, superar suas
mazelas e diferenças. Não somos um povo que se acovarda, somos resilientes,
aguerridos e o gaúcho é um exemplo disso, como de resto, de todo o país.
Obrigado, impávida e colossal nação brasileira. Viva o Brasil!

Continue lendo em jornalemdestaque

Compartilhe!




QR Code: