O sociólogo Manuel Castells, proeminente intelectual espanhol, constatou em suas pesquisas que uma das mais eficazes formas de poder é a comunicação. Através dela, é possível influenciar pessoas, disseminar informações, difundir padrões de comportamento, interferir na maneira como enxergam a si mesmas e o mundo à sua volta, para o bem e para o mal. Em outras palavras, através da comunicação é possível fabricar “verdades” e difundir o caos, ou conciliar pessoas e aproximá-las de boas práticas de fraternidade e solidariedade.
Tudo isto remonta ao que tantos outros pensadores, a exemplo de Jürgen Habermas e Marco Morel, conceituam enquanto opinião pública. Em linhas gerais, quem comunica – escreve, fala, apresenta, difunde – o faz com o interesse de provocar a opinião dos demais, apresentando ideias e discursos que podem sobressair e encontrar eco na esfera pública, orientando variados campos da vida social. Não à toa, numerosos autores e políticos denominaram a mídia como o “quarto poder”, por sua capacidade de persuasão e sua competência em motivar e influenciar sociedades inteiras.
Mas isso é a teoria. Na prática, é tudo muito mais complexo, sobretudo com o advento das mídias sociais, quando cada usuário se tornou um emissor e propagador de opiniões e versões, um misto de rádio com canal de TV, onde a profissão do momento é ser influencer. Mas como sabemos, quantidade nem sempre é indício de qualidade, e a informação tem sido cada vez mais cara e difícil: os influenciadores nem sempre sabem influenciar, e a internet tornou-se terra sem lei, dominada pelo caos dos discursos de ódio, das fake news e do tempo desperdiçado com “entretenimento” inútil.
Diante deste cenário, gostaria de lhe fazer um convite e pedir sua licença: sou Guilherme Galvão Lopes, pesquisador e historiador político, e a partir de hoje, estaremos juntos nesta poderosa ferramenta de comunicação para refletirmos sobre o poder, mas não apenas em sua – importante – dimensão eleitoral. Como vimos acima, o poder é muito mais que o voto na urna: quando um simples vídeo no TikTok lhe convence a preparar uma receita rápida, temos então o poder sendo exercido em sua forma mais sutil e cristalina. O poder também pode ser evidenciado no preço das passagens de ônibus, no câmbio do dólar, no conflito Israel x Palestina, na música que você escuta no Spotify, ou no streaming e nas séries que assiste.
E se você leu até aqui, meus parabéns: você acabou de compreender, na prática, o poder da comunicação. Seja bem-vindo.
"Times New Roman"">Foto criada com IA | ED.
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