A popularidade controversa do reality show BBB é inegável, sendo tanto assistido quanto repudiado. Independentemente da opinião que se tenha sobre o programa, suas últimas edições têm suscitado questões cruciais para o debate público. Os inevitáveis conflitos, inerentes à dinâmica do jogo, têm trazido à tona temas como racismo, machismo e outros assuntos que demandam discussões abertas na sociedade, ganhando destaque nas redes sociais e na mídia convencional.
Nesta edição de 2024, o participante baiano Davi tem sido alvo de críticas por suas reações explosivas às investidas contra ele. Alguns afirmam que ele está enfrentando situações de racismo – e eu concordo. Em um momento de fúria, Davi utilizou a expressão "sou homem, não sou viad#" - provocando desconforto em muitas pessoas. A vibrante Beatriz foi repreendida por seu comportamento extrovertido, por Lucas – que acabou sofrendo uma invertida épica durante o quadro “sincerão”.
Na outra ponta, o morador da casa, Rodriguinho, que está longe do "padrão de beleza" masculino, julga sem cerimônia o corpo da modelo Yasmim Brunet. E é aí que começa a razão deste meu artigo.
Assim como o racismo, o machismo é uma estrutura que causa danos silenciosos e prejudiciais às suas vítimas. Mesmo que falar, julgar e zombar dos corpos femininos seja uma prática comum entre alguns homens, isso não significa que deva ser aceito como algo natural nos dias de hoje. Esse hábito reprovável, que requer ações de homens verdadeiros para ser combatido, já teve consequências evidentes, como no caso de Nizam.
Infelizmente, ver um homem (macho escroto) criticando o corpo de uma mulher não é raro, mas testemunhar uma mulher depreciando outra mulher é alarmante, indicando que o machismo está sendo internalizado pelas mulheres. Fernanda, uma niteroiense de 32 anos, mãe de dois filhos que luta para sustentar sua família após o divórcio, não conseguiu conter sua dose de machismo ao atacar Alane, uma jovem de 24 anos nascida em Belém, com ofensas ao seu corpo.