Existe
uma máxima na política e na vida, na verdade existem muitas, mas tem uma que de
tempos em tempos você precisa lembrar. “É necessário ter lado”. E este é o
ponto que muitas vezes não tem volta. Escolher bem o lado pode ser muito
importante para alguns. Para outros, não escolher nenhum e tentar ficar bem com
todos é a estratégia. E tem aqueles que preferem pular de galho em galho,
sempre mudando de lado para tentar ficar perto de quem pode lhe dar algo. A estes,
por algumas vezes, a vitória vem, mas ela não se consolida e, por um motivo
muito simples, não tem credibilidade, porque o lado que agora recebe o traidor
sabe que, como um escorpião, a natureza dessas pessoas é dar a ferroada
necessária para tentar, de alguma maneira, ganhar alguma vantagem. A estes só
importa isso, o que se vai ganhar em troca. São os primeiros a perceber os
ventos mudando e, com ele, flutuam ao lado que pode continuar dando alguma
vantagem. Porém, existe um problema: essas pessoas precisam ter alguma
importância para poderem ter poder de barganha. É necessário ter o que vender,
porque senão não existe nada o que oferecer.
No
atual mundo, vendem qualquer coisa, até o que não podem entregar.
Não
pretendo eu reeditar aqui o “Manual do Traidor”, artigo publicado aqui há
alguns meses, e que me surpreendeu com o acesso e repercussão que teve. De
maneira alguma pretendo ser enfadonho, mas em tempos pré-eleitorais, é
pertinente a análise, olhando até pelo prisma da nossa região.
Um
exemplo: em 2012 uma Prefeita foi retirada do cargo, corretamente, diga-se de
passagem, por um processo movido que levou o segundo lugar ao posto máximo do
Executivo municipal. Este processo virou até uma maldição, porque com o tempo tal
mandato virou o pior da história da cidade, mas isto é outro caso. Agora, os
dois passam a posar para fotos juntos, tentando vender a ideia de uma união,
que na verdade esconde a tentativa de dois inelegíveis de trazer a aparência de
que podem ser importantes em algum projeto político. Nada ilegítimo nisto,
ressalto. Mas, o cerne da questão, e voltando ao ponto de análise, mudaram de
lado e continuarão mudando sempre que entenderem ser necessário aos seus jogos.
Em
alguns casos essa mudança é cara demais, sobretudo no jogo partidário interno.
Logo percebe-se que essas pessoas sem credibilidade são apenas números
financeiros, mas são aturáveis se tiverem algo para oferecer e, mesmo assim,
como suas credibilidades vão caindo com o tempo, valem cada dia menos. Se
perderem sua força - ou que acreditem que tem de força -, seja por qual motivo
for, se esvaziam no ostracismo político e na falta de construção que, com o
tempo, acaba sendo fatal.
Na
vida, temos que ter lado, e isto é fundamental. Não existe caminho sem isto.
Não existe futuro sem isto. Não existe nada sem isto. Se perde e se ganha em um
lado, podendo olhar para as pessoas e dizer que foram até o final, que por mais
que os preços sejam oferecidos, a gratidão e a integridade não são vendáveis.
Nem todos podem dizer isto, e o preço a se pagar é mais caro do que se achou
que ganhou ou ganharia.
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