Os
dias são difíceis, dá para perceber pelo ar, pelo clima. Estamos vivenciando um
tempo em que muitos sempre querem aquilo que não têm, que acreditam que podem e
devem receber, mas não conseguem o básico: fidelidade e compromisso.
Em
momentos tão impressionantes e raivosos, onde coisas triviais precisam de
lembrança, e até aquilo que as pessoas que estão erradas se incomodam tanto: a
cobrança - algo tão desnecessário se o papo não fosse torto.
Quero,
portanto, com esse texto, ajudar a muitos, podendo explicar de que maneira se
comporta um traidor, que pode ser até mesmo dividido em várias espécies. Nesse
instante, especificamente, vamos tratar, depois de muita experimentação e
observação, da espécie "Traidor Covarde". Ressalto, porém, que nem
todo traidor é covarde, mas todos são mau-caráter. Vou de forma simples,
elencada e pedagógica, baseado na observação diária, daquilo que chamamos de
trabalho.
1
– Não conseguem olhar nos seus olhos nem atender ao seu telefonema. Preferem
mensagens - é a nova arma dos covardes de todas as espécies. Tudo fica mais
fácil atrás de uma tela e não frente a frente. Se o traidor é alguém que falava
com você diariamente, suas ligações passarão a ser motivo de desconforto, e tudo
se resolverá por mensagem.
2
– As justificativas para a traição são sempre da ordem financeira ou qualquer
vantagem que foi recebida ou ainda será. Nunca é uma questão
"ideológica". Pessoas não mudam de opinião de uma hora para outra,
que não seja por benefícios que serão entregues. Se utilizam de justificativas
a partir da colocação de "bodes na sala"; não é necessário que as
coisas façam sentido.
3
– O traidor tem dificuldade em olhar para o passado, onde ele foi, por exemplo,
honrado. Esse tipo de coisa não vale para ele e seu time. Ele trabalha com a cabeça
do agora em diante - o que não faz sentido nas relações construídas.
4
– Trabalham com memórias seletivas e produzem em grande escala toneladas de
desonestidade intelectual. Quando o argumento não se sustenta mais, gaguejam e
alteram o tom de voz. Tem aquele também que vai para a conversa sorrindo, fala
pouco e sorri toda vez que fala. Para essa estratégia, a de sorrir enquanto
fala e argumenta, o objetivo é tirar o seu foco do que está sendo falado,
trazendo um tom mais brando e simpático para suas falas.
5
– Essa galera entende que precisa ser atendida em suas expectativas e pedidos,
mas, no final, não precisa cumprir e entregar o acordado, e por um motivo muito
simples: ele sempre acredita ter uma justificativa para ele próprio, que
explique suas atitudes - é o desengajamento moral. Se ele for o traído, tudo
está errado, mas na traição dele, tem sempre uma desculpa.
6
– Muita atenção para esse item: Nunca, nada é culpa dele. Alguém errou, alguém
provocou, alguém fez... e ele é sempre a vítima! Adora citar o termo
"lealdade", até para não ser leal. Isto acontece porque ajuda no
desengajamento moral citado no item acima.
7
– Sempre andam com pessoas mais fracas e nitidamente dominadas por eles.
Precisam muito disto para poder manter o processo de manipulação de um grupo.
Precisam explicar na sua visão o porquê da traição, mas como existe a chance de
nem todo mundo entender, ele nunca faz isto totalmente ao coletivo, ele começa
pelas beiradas, conversando com os mais próximos, que são dominados de alguma
maneira por sua liderança.
8
– Repetem as histórias na busca de uma narrativa que encontre algum tipo de
coerência. Sempre que confrontados e acareados fogem da conversa e preferem
dizer que não existe mais nada a falar.
9
– Trabalham com o que se chama na psicologia de "transferência".
Acusam os outros daquilo que eles mesmos estão fazendo. E isto ocorre com muita
insistência, quase sempre com pitadas de ligações e induções. É um ato de
convencimento. Quando tudo fica evidente, eles mesmos se confrontam e fogem do
embate quando alguém lembra que suas atitudes foram iguais às que eles acusavam
os outros.
10
– E por último e não menos importante, são medrosos, covardes e fujões. E sabem
por quê? Porque eles sabem que estão errados. Pois, no fundo, ainda sabem fazer
uma autocrítica, dormem pensando na besteira que fizeram e morrem de medo das
pessoas fazerem com eles o que eles fizeram com os outros. Vivem na neurose de
uma traição iminente.
Se
você conhece alguém assim ou passou por algo parecido, pode ter certeza de que
muitas das características acima ocorreram. Existem coisas comuns entre essas
pessoas e uma delas é a falta de compromisso com a verdade; mas, acima de tudo,
com a lealdade a elas mesmas e a seus desejos. Mudam de opinião na medida em
que os benefícios mudam de lugar, de acordo com suas necessidades de
sobrevivência. Mas, muitas vezes, não resistem para contar a história completa.
Para o, ou os traídos, os que tiveram seus acordos descumpridos, fica a dica de
que nem todo mundo vale a luta!
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