Na tarde de hoje, STF tirou sigilo de operação de fraude em cartão de vacina de Bolsonaro | Riobrasil Noticias
espanhol ingles portugues brasil alemao italiano Chines


Na tarde de hoje, STF tirou sigilo de operação de fraude em cartão de vacina de Bolsonaro

Na tarde de hoje, STF tirou sigilo de operação de fraude em cartão de vacina de Bolsonaro

03/05/2023 19:01:00 | Brasília | Fonte: Jornal em Destaque

O
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou, na
tarde desta quarta-feira (3), o sigilo das investigações do inquérito que levou
à apreensão do aparelho celular do ex-presidente Jair Bolsonaro e à prisão do
coronel Mauro Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens na Presidência da República.



De
acordo com o relato da Polícia Federal (PF) na Operação Venire, Cid articulou a
emissão de cartões falsos de vacinação para covid-19. Primeiro para sua esposa,
Gabriela Santiago Cid, e suas duas filhas, e depois para Bolsonaro e sua filha
menor de idade. Em depoimento nesta quarta-feira, ele ficou calado diante dos
policiais.



As
investigações tiveram como base as quebras de sigilo telemático e telefônico de
Cid no âmbito de um outro inquérito, que trata de uma live na qual
Bolsonaro associou, sem provas, a vacina contra covid-19 à contaminação por
Aids.



A
PF teve assim acesso aos dados armazenados por Cid em serviços de nuvem do
Google e da Apple, o que deu impulso às investigações. Foram anexados no
processo imagens de conversas de Cid com diversos envolvidos.



Ao
todo, seis pessoas foram presas. Além de Cid, também foram detidos: o policial
militar Max Guilherme; Sérgio Cordeiro, segurança de Bolsonaro; o sargento Luiz
Marcos dos Reis; o ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros; e o
secretário municipal de Governo de Duque de Caxias (RJ), João Carlos de Sousa
Brecha.



Outras
16 pessoas foram alvo de busca e apreensão, incluindo o ex-presidente Jair
Bolsonaro, que teve o celular apreendido. O celular de sua esposa, Michelle
Bolsonaro, não foi levado pelos policiais



A
Polícia Federal apontou indícios de que os envolvidos teriam cometido crimes
como o de associação criminosa, falsidade ideológica e corrupção de menores. A
Procuradoria-Geral da República (PGR) foi contra a busca e apreensão na casa de
Bolsonaro em Brasília, mas o ministro Alexandre de Moraes decidiu autorizá-la a
pedido da PF.



Não
há qualquer indicação nos autos que conceda credibilidade à versão de que o
ajudante de ordens do ex-Presidente da República JAIR MESSIAS BOLSONARO pudesse
ter comandado relevante operação criminosa, destinada diretamente ao então
mandatário e sua filha L.F.B., sem, no mínimo, conhecimento e aquiescência
daquele, circunstância que somente poderá ser apurada mediante a realização da
medida de busca e apreensão requerida pela autoridade policial
”, escreveu
Moraes.



A
falsificação



Para
realizar as fraudes, o ex-ajudante de ordens contou com o auxílio do sargento
Luiz Marcos dos Reis, cujo sobrinho, o médico Farley Vinícius Alcântara, emitiu
documento fraudado para Gabriela Cid a partir do município de Cabeceiras, em
Goiás. Ele preencheu cartões de vacinação da Secretaria de Saúde de Goiás e
assinou utilizando seu carimbo e número de registro no Conselho Federal de
Medicina (CFM).



Ainda
de acordo com as investigações, imagens dos cartões foram enviadas no formato
PDF para o 2º Sargento Eduardo Crespo Alves, para que ele tentasse inserir os
dados no sistema do Ministério da Saúde a partir do Rio de Janeiro. O objetivo
seria permitir a emissão do certificado de vacinação contra covid-19 pelo
aplicativo ConecteSUS.



A
tentativa só não deu certo porque os sistemas da Saúde acusaram que o lote da
vacina supostamente aplicada não havia sido distribuído para o Rio de Janeiro,
mas para Goiás. Cid, contudo, não desistiu. Ele acionou o advogado e militar da
reserva Ailton Gonçalves Barros, que conseguiu a emissão de um cartão de
vacinação no município fluminense de Duque de Caxias.



Depois
disso, os envolvidos conseguiram inserir os dados nos sistemas da Saúde. Isso
permitiu que Cid e seus familiares emitissem diversas vezes o certificado de
vacinação contra a covid-19, sempre na proximidade de viagens para os Estados
Unidos, como mostraram as investigações da PF.



Jair
Bolsonaro



Bolsonaro
passou a ser investigado no caso após alerta da Controladoria-Geral da União
(CGU), em janeiro de 2023, para a Polícia Federal. Esse alerta deu conta de
que, apesar de constar no sistema do Ministério da Saúde que o então presidente
teria se vacinado nos dias 13 de agosto e 14 de outubro de 2022, também em
Duque de Caxias, não havia indícios de que isso tenha de fato ocorrido.



A
partir daí, a PF constatou que os dados sobre as vacinas foram inseridos por
Brecha, secretário de Governo do município fluminense, nos sistemas da Saúde,
em 21 de dezembro de 2022. O procedimento teria sido o mesmo em relação à filha
de Bolsonaro. Dias depois, os dados foram apagados pela operadora Claudia
Helena Acosta Rodrigues da Silva, com a justificativa de se tratar de “erro”.



Nesse
ínterim, foram emitidos certificados de vacinação contra covid-19 para
Bolsonaro e sua filha, que embarcaram para os EUA no final de dezembro. Ela
viajou no dia 27 e o ex-presidente no dia 30. Tais certificados teriam sido
emitidos e impressos pelo auxiliar de Bolsonaro, Marcelo Costa Câmara, de
dentro do Palácio do Planalto. A polícia obteve a localização dos aparelhos no
momento de utilização do ConecteSUS.



O
relatório da PF detalha que “os elementos informativos colhidos demonstraram
coerência lógica e temporal desde a inserção dos dados falsos no sistema SI-PNI
até a geração dos certificados de vacinação contra a Covid-19, indicando que
Jair Bolsonaro, Mauro Cesar Cid e, possivelmente, Marcelo Costa Câmara tinham
plena ciência da inserção fraudulenta dos dados de vacinação, se quedando
inertes em relação a tais fatos até o presente momento
”.



O documento
de 114 páginas é assinado pelo delegado da PF Fábio Alvarez Shor,
responsável pelo caso.



Outro
lado



Em
nome da defesa de Bolsonaro, o ex-ministro da Secretaria de
Comunicação Fábio Wajgarten disse a jornalistas que o ex-presidente
somente irá depor à Polícia Federal quando seus advogados tiverem acesso aos
autos do processo, o que ainda não teria ocorrido.



src="https://www.jornalemdestaque.com/aspas.png" width="40px"
/>



O
presidente Bolsonaro estará à disposição das autoridades competentes, como
sempre esteve, tão logo a defesa tenha acesso aos autos
”, disse Wajgarten.
Segundo ele, o ex-presidente está reunido com seus advogados. Ele ainda disse
que o advogado Marcelo Bessa já peticionou ao Supremo, em nome de Bolsonaro,
pedindo acesso ao processo.



Foto: Marcelo
Camargo | Conteúdo Agência Brasil



____________



Apoie o Em
Destaque seguindo o site e as redes sociais deste jornal que virou fonte de
notícias do
Google News, e que há mais de dois anos disponibiliza
conteúdo nos principais tocadores de
podcasts
. Em Destaque, o jornal local sem
fronteiras para a notícia!

Continue lendo em jornalemdestaque

Compartilhe!




QR Code: