Como
se não bastasse observar que os “patriotas de verde e amarelo” presos pelos
vários crimes cometidos em Brasília, naqueles ataques do dia 8, ainda não se
deram conta da gravidade de seus atos contra a democracia e contra o patrimônio
público, nos deparamos agora com a enxurrada de postagens – mais de três
milhões – nas redes sociais dizendo que os pobrezinhos estão “sofrendo” numa espécie
de nova versão dos campos de concentração nazistas, feita pela Polícia Federal,
no ginásio que abriga essa bandidagem. Além da comparação descabida, um vídeo
obtido pelo UOL Notícias por um advogado que esteve dentro do alojamento da PF
mostra um amplo espaço aberto, onde é possível ver: barracas; pessoas
conversando; outras sentadas embaixo de árvores; dentro da quadra coberta,
pessoas aparecem sentadas em cadeiras de praia e nas arquibancadas. Há dois
banheiros masculinos e dois femininos de ginásio, com espaços privados. Vale
ressaltar que boa parte desses que ali estão são os mesmos que estiveram
acampados por semanas em frente ao QG do Exército, com chuveiros improvisados e
banheiros químicos malcheirosos e quentes.
Como
define o Yad Vashem, o Holocausto foi um genocídio sem precedentes, total e
sistemático, perpetrado pela Alemanha nazista e seus colaboradores, com o
objetivo de aniquilar o povo judeu. Os campos de concentração foram projetados
para servir a esse extermínio total. Entre 1933 e 1945, a Alemanha nazista
seguiu uma política de marcação e concentração da população judaica e seu
assassinato em massa.
Elie
Wiesel (1928-2016), sobrevivente do Holocausto e Prêmio Nobel, descreveu as
atrocidades vividas no campo de concentração, onde a violência, o frio, a
doença, a fome e a morte eram ameaças e realidades cotidianas.
Havia
campos simultaneamente de concentração e extermínio, como Auschwitz-Birkenau, e
havia campos de concentração apenas, como Terezin, na antiga Tchecoslováquia,
ou campos exclusivamente de extermínio, como Treblinka, na Polônia. Câmaras de
gás permanentes foram construídas nos chamados campos de morte, onde, à medida
que os trens de deportação chegavam, as vítimas - homens, mulheres e crianças -
eram enviados diretamente para as câmaras de gás. Nos outros casos, muitos dos
prisioneiros de todas as idades, mesmo sem ir para as câmaras, também eram
exterminados de outras formas, por exaustão, fome, frio, surras e doenças
provenientes da completa falta de higiene.
Após
as invasões e depredação de prédios públicos que ocorreram na Praça dos Três
Poderes, mais de mil pessoas foram levadas para o ginásio da Polícia Federal. A
partir de então, começaram a circular diversas comparações entre o ginásio da
PF com os campos de concentração nazistas utilizados para o extermínio da
população judaica durante a Segunda Guerra Mundial.
Como
se fosse pouco a vergonha que nós brasileiros passamos ante o mundo provocada
por esses fanáticos desinformados, eles ainda conseguiram ofender a memória das
vítimas do holocausto.
Essa
gente não representa o povo brasileiro!
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