espanhol ingles portugues brasil alemao italiano Chines



Bolsonaro fez bom uso de sua aliança com a política tradicional | Riobrasil Noticias

Bolsonaro fez bom uso de sua aliança com a política tradicional

Bolsonaro fez bom uso de sua aliança com a política tradicional

09/10/2022 14:16:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque

O
bom desempenho do presidente Jair Bolsonaro no primeiro turno das eleições é
resultado de uma combinação de atuação digital e de política tradicional,
avalia Marcos Nobre, presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento
(Cebrap) e professor do departamento de filosofia da Unicamp.



src="https://www.jornalemdestaque.com/aspas.png" width="40px"
/>



Bolsonaro
apelou para alguém que sabe fazer política tradicional, que pega recursos de
campanha e consegue transformá-los em mais votos. Junto com isso houve uma
atuação paralela dessa máquina de desinformação e propaganda do partido digital
bolsonarista
",
afirma Nobre.



O
pesquisador atribui ainda o sucesso eleitoral de Bolsonaro e seus aliados no
primeiro turno ao "trabalho de base" do "partido digital
bolsonarista", expressão que usa para se referir à militância aguerrida
reunida no entorno do presidente.



src="https://www.jornalemdestaque.com/aspas.png" width="40px"
/>



A
mensagem bolsonarista entra em grupos de mães, em discussões de grupos
religiosos, de pessoas que procuram emprego – redes de solidariedade de todo
tipo
".



Em
entrevista à DW Brasil, Nobre analisa também o cenário pós-eleitoral e alerta
para o risco real de uma guinada autoritária no Brasil, caso Bolsonaro vença o
segundo turno.



src="https://www.jornalemdestaque.com/aspas.png" width="40px"
/>



Vamos
ter um cenário húngaro: com a confiança nas instituições democráticas sendo
minada no primeiro mandato para, num segundo mandato, efetivamente fechar o
regime por dentro
",
destaca o autor do livro Limites da Democracia, uma análise da política
brasileira desde as jornadas de Junho de 2013 até os dias atuais.



 



O
que explica o bom desempenho da direita bolsonarista no primeiro turno?



Marcos
Nobre: Houve uma aliança com a política tradicional – com o PL do
Valdemar Costa Neto, PP e Republicanos, além de partidos menores como PTB e
PSC. Bolsonaro apelou para alguém que sabe fazer política tradicional, que pega
recursos de campanha e consegue transformá-los em mais votos. Junto com
isso houve uma atuação paralela dessa máquina de desinformação e propaganda do
partido digital bolsonarista.



É
uma combinação de política tradicional e elementos novos digitais. De um lado,
tem a política tradicional; de outro, interesses mais diretos do partido
digital bolsonarista. Uma estrutura potencializa a outra. Às vezes elas entram
em conflito, mas na maioria dos casos elas se complementam. Um exemplo desse
conflito é a corrida pelo Senado em Brasília: tinha a candidata do PL, que é o
partido de Bolsonaro, mas o partido digital bolsonarista atuou o tempo todo
pela eleição da Damares
[Alves, ex-ministra da Mulher, da Família e dos
Direitos Humanos, que foi eleita pelo Republicanos].



Tem
também o poder da máquina partidária e do governo. Bolsonaro é o presidente,
não dá para desconsiderar isso. Isso gera uma potencialização da votação do PL
que é muito impressionante – desde 1998 que não tinha uma bancada desse tamanho
[no Congresso].



 



E
por que esse partido digital bolsonarista é eficiente?



O
partido digital bolsonarista atua na esfera institucional, em conjunto com a
política tradicional, mas também está no cotidiano das pessoas. Há muita
fantasia sobre o que é esse tipo de organização em rede partidária, porque as
pessoas acham que são grupos de WhatsApp, Telegram e TikTok só sobre política.
Isso não é verdade.



A
mensagem bolsonarista entra em grupos de mães, em discussões de grupos
religiosos, de pessoas que procuram emprego, que precisam trocar coisas – redes
de solidariedade de todo tipo. Os antigos partidos faziam isso, que é conhecido
como trabalho de base – e é o que o bolsonarismo faz. Essa é a sua força. Não é
só um partido, uma máquina de desinformação e propaganda que está descolada da
vida das pessoas. De jeito nenhum. Está lá, no cotidiano. E é por isso que
consegue eleger.



 



E
a esquerda?



O
campo progressista acha que basta chegar nas pessoas e dizer o que é o mundo
ideal que elas automaticamente vão se converter. Não é uma postura de
convencimento; é uma postura de chegar para dar lição. Perderam a tecnologia e
a capacidade de fazer trabalho de base. E fazer trabalho de base é conversar de
verdade. É chegar lá para ouvir, ser escutado, respeitar a posição e saber que
a pessoa, depois de horas de conversa, pode manter a mesma posição que tinha
antes.



Progressistas
quando encontram alguém que não vota no ex-presidente Lula e diz "Lula é
ladrão", viram as costas e vão embora, dizem que não dá para conversar.
Tem que discutir, levar a sério. Se esse é o ponto de partida, não se conseguirá
nunca mesmo convencer ninguém.



 



O
bolsonarismo age diferente?



O
bolsonarismo faz isso, ele convence aqueles que não estão primeiramente
convencidos, faz trabalho de base. Tem essa diferença. Acho que é uma diferença
grave, porque mostra que o partido digital bolsonarista tem enraizamento e
representatividade na sociedade.



Votar
em Bolsonaro não significa ser autoritário. Pelo contrário. Cerca de 15% do
eleitorado é efetivamente autoritário. É um grupo grande, mas de maneira alguma
chega aos 43% que votaram no Bolsonaro. Colocar todo mundo no mesmo saco é
abrir mão de fazer política
.



 



Caso
Bolsonaro perca a eleição, qual é o futuro dessa extrema direita que ele
personifica?



Bolsonaro,
num primeiro momento, vai ser o líder da oposição porque ele tem a hegemonia do
campo mais amplo da direita. E o tipo de oposição que ele vai fazer é muito
diferente do que já se viu no Brasil, porque é uma oposição que não está
preocupada em ganhar a próxima eleição. Não que ele não queira ganhar, não é
isso. Mas essa não é a preocupação central, então não há limites para o tipo de
oposição que você pode fazer. É uma oposição, em termos democráticos,
totalmente desleal, feroz.



Temos
uma situação hoje em que o campo da direita no Brasil é hegemonizado pela
extrema direita. Vai surgir uma nova direita democrática para disputar essa
hegemonia? Porque se isso não acontecer, teremos um governo que vai ter como
principal opositor a extrema direita, e não a direita. E isso implica um risco
autoritário permanente para o país
.



 



O
que seria essa oposição desleal?



Existem
algumas limitações para uma oposição que é democraticamente leal, que segue as
regras da alternância de poder democrático – porque quando ela chegar ao poder,
vai ter que ser capaz de entregar aquilo que criticou no outro. No caso da
extrema direita, como o objetivo não é a democracia, você pode dizer
absolutamente qualquer coisa. Não há limites. O projeto não é meramente
eleitoral. A eleição é só uma escadinha para chegar ao seu objetivo, que é
destruir a democracia – nesse esquema característico do autoritarismo da década
de 2010, que são autoritarismos pela via eleitoral, e não mais golpes clássicos
.



 



E
se o Bolsonaro for reeleito, o que esperar?



Vamos
ter um cenário húngaro, seguindo esse modelo estabelecido pela Hungria, [nos
moldes dos] autoritarismos da década de 2010: com a confiança nas instituições
democráticas sendo minada no primeiro mandato para, num segundo mandato,
efetivamente fechar o regime por dentro
.



 



Como?



Primeiro,
assumindo o controle da maioria da suprema corte – no caso, do Supremo Tribunal
Federal. Já tem uma emenda na Câmara para aumentar de 11 para 15 o número de
ministros. Aumentando de 11 para 15, o Bolsonaro já indicou dois, indicaria
mais quatro [mais os sucessores de Ricardo Lewandowski e Rosa Weber, que se
aposentam em 2023, totalizando oito ministros], e ele teria maioria no STF. Na
sequência, você faz uma reforma legislativa que te dá maioria parlamentar mesmo
você não tendo a maioria dos votos.



Você
começa a impor restrições para aquelas parcelas do eleitorado que não fazem
parte do seu bastião de votos – por exemplo, os mais pobres –; faz um projeto
de centralização do controle das polícias; mantém elementos tipicamente
ditatoriais, como o orçamento secreto; oficializa uma polícia secreta; asfixia
a imprensa; começa a restringir as críticas de todos os lados. Vai sufocando as
pessoas cada vez mais – na universidade, na imprensa – e tem um fechamento
progressivo do regime por dentro.



Isso
já vem sendo preparado no primeiro mandato: sete em cada dez brasileiros têm
medo de emitir as suas opiniões, medo de violência. Isso já é uma vitória
enorme do bolsonarismo, que quer infundir nas pessoas o medo de se expressar
livremente
.



Conteúdo
DW Brasil



_________________________________



Com
premiações em nível nacional e internacional, o EM DESTAQUE reforça o seu
compromisso com o bom jornalismo, produzindo diariamente conteúdo de qualidade,
com responsabilidade e que você pode confiar.



Siga
o site e as redes sociais do jornal que virou fonte de notícias do
Google News e que há dois anos disponibiliza
conteúdo nos principais tocadores de
podcasts
: ED, o jornal local
sem fronteiras para a notícia!

Continue lendo em jornalemdestaque

Compartilhe!




QR Code:









Eventos fotografados em Rio de Janeiro

Ver outros eventos fotografados em Rio de Janeiro - RJ









© Copyright 2003 / 2026 | RIOBRASIL DESENVOLVIMENTO DE SITES, SISTEMAS E ENTRETENIMENTO

SITES DO GRUPO : www.riobrasil.net - riobrasil.com.br - rb1.online - rb1.site


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.