Discurso religioso pode impulsionar reeleição de Bolsonaro? | Riobrasil Noticias
espanhol ingles portugues brasil alemao italiano Chines


Discurso religioso pode impulsionar reeleição de Bolsonaro?

Discurso religioso pode impulsionar reeleição de Bolsonaro?

09/08/2022 19:36:00 | São Paulo | Fonte: Jornal em Destaque

color:#262E33"> 



windowtext">Por Rayanne Azevedo | DW Brasil



Apostando
em uma retórica moralizante e permeada por referências religiosas, o presidente
Jair Bolsonaro se lança à corrida pela reeleição tentando repetir o apoio do
eleitorado cristão e conservador que recebeu em 2018.



Naquele
ano, os quase 70% dos votos evangélicos que recebeu no segundo turno, segundo
cálculos feitos com base em dados do Instituto Datafolha, foram apontados
por analistas políticos como decisivos para a vitória do chefe do
Executivo.



Apesar
desse apoio considerado decisivo e de os evangélicos serem hoje mais de
30% da população, segundo estimativas, não é apenas a esse grupo que o
presidente acena. Maioria no Brasil, católicos também estão no radar do
mandatário.



Nos
últimos meses, Bolsonaro tem ido a eventos evangélicos com frequência quase
semanal. Só em julho, esteve em diversos encontros com fiéis no Rio de Janeiro,
em Minas Gerais, São Paulo, Maranhão, Ceará, Espírito Santo e Rio Grande do
Norte. Ao longo da corrida ao Planalto, o presidente também deverá
participar por vídeo, com entradas ao vivo, de cultos organizados por
lideranças evangélicas.



A
tática se repete, embora em menores proporções, junto ao eleitorado católico.
Em 16 de julho, Bolsonaro leu passagens bíblicas e discursou ao lado de um
padre em Natal (RN) sob o mote "Deus, pátria, família e liberdade". O
lema é semelhante ao da Ação Integralista Brasileira ("Deus, pátria e
família"), movimento de extrema direita ultranacionalista criado nos anos
1930 sob inspiração do fascismo italiano.



No
final de julho, em seu discurso de lançamento de candidatura, Bolsonaro, que se
autodeclara católico e tem o apoio de lideranças de peso do setor
evangélico, fez sete menções a Deus – sua esposa, a protestante Michelle
Bolsonaro, o invocou outras 27 vezes no palanque.



Na
ocasião, Michelle apresentou o marido como um "escolhido de
Deus" que tem um "projeto de libertação para a nossa nação",
aconselhou a plateia a não negociar com o mal e foi festejada aos gritos de
"aleluia".



Bolsonaro,
por sua vez, afirmou rezar diariamente um Pai Nosso para que o "povo
brasileiro nunca experimente as dores do comunismo" e antagonizou com seu
principal rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao repisar velhas
máximas da cartilha conservadora sobre aborto, drogas e questões de gênero.



Ao
retratar a sua reeleição como uma batalha do bem contra o mal, se
apropriar de Deus como cabo eleitoral e insistir na pauta de costumes,
Bolsonaro indica, segundo especialistas ouvidos pela DW Brasil, qual será a
tônica da sua campanha até outubro.



A
julgar pelos resultados das pesquisas eleitorais mais recentes, a tática pode
estar surtindo efeito ao menos entre o eleitorado evangélico. Números do Datafolha
mostram que, num intervalo de dois meses, Bolsonaro abriu vantagem de dez
pontos percentuais sobre Lula e lidera atualmente a preferência desse segmento,
com 43% das intenções de voto.

Continue lendo em jornalemdestaque

Compartilhe!




QR Code: