Não
é de hoje que o Jornal Em Destaque vem denunciando o descaso da SuperVia com os
usuários, que pagam caro pelo serviço de péssima qualidade, e acompanhando a
CPI dos Trens aberta pela Alerj.
Na
noite de ontem, o RJ2 divulgou um relatório da Agência Reguladora de
Transportes (Agetransp) que pode explicar o motivo dos problemas nos trens da
Supervia. De acordo com a reportagem, a concessionária não fez vários
investimentos que estavam previstos no contrato de concessão e foi multada por
isso.
A
Agetransp afirma que a Supervia falhou em cinco itens do plano:
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reformar
e adequar à acessibilidade 48 estações;
"Segoe UI"">2.
modernizar
as subestações e revitalizar a via;
"Segoe UI"">3.
instalar
o sistema de sinalização ATP, que controla a velocidade dos vagões;
"Segoe UI"">4.
construir
novos pátios e duplicar o trecho Gramacho-Saracuruna;
"Segoe UI"">5.
substituir
equipamentos e melhorar os trens no trecho Saracuruna-Guapimirim.
Atrasos,
vandalismo e furto de cabos
Quem
precisa dos trens da Supervia já começou a semana enfrentando dificuldades.
Na manhã desta segunda-feira (4), os quatro ramais estavam com atrasos.
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É
cansativo porque a gente sai cedo de casa, mas não adianta nada. A gente acaba
se atrasando no trabalho. O intervalo também, que é muito grande. Santa Cruz,
por exemplo, eles tiraram o expresso, aí é parador pra gente todo dia", diz uma
passageira.
Na
manhã desta terça-feira (5), quem utilizou o ramal Japeri-Central e precisou
mudar para o ramal Gramacho, teve que optar por outro tipo de transporte, pois o
serviço de alto-falante das estações informava que não havia trens.
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Vim
de Japeri até o Maracanã, onde mudo de plataforma e pego o trem para Manguinhos,
onde trabalho. Para minha surpresa não tinha trem e tive que sair da estação e
pegar um ônibus. Depender dos trens se tornou uma aventura, todos os dias”, disse uma
passageira.
Em
Belford Roxo, o vandalismo atrapalhou a operação. O trem que saiu em direção à
Central não conseguiu chegar nem à primeira estação de Agostinho Porto. Teve
que retornar porque havia muito lixo acumulado sobre os trilhos. Vândalos,
então, botaram fogo e depredaram equipamentos na estação.
Já
nos ramais Deodoro, Japeri e Saracuruna, os intervalos foram maiores do que os
normais por causa de problemas na sinalização.
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O
patrão muitas das vezes não entende [o atraso]. Eu saio de casa às quatro da
manhã pra pegar às sete no trabalho. O trem atrasa, eu vou chegar atrasado”,
diz o porteiro Marco Ferreira.
A
explicação para tantos problemas pode estar no documento obtido pelo RJ2.
A
Agetransp aponta que a Supervia não cumpriu nos últimos 10 anos os
investimentos na estrutura que estavam previstos no contrato de concessão
assinado com o governo do estado em 2010. A empresa foi multada pelo
descumprimento de cada um desses itens, totalizando mais de R$ 2,2 milhões referentes
à primeira fase do plano de investimentos.
A
Supervia alega que enfrenta problemas com o furto de cabos, que só este ano
aumentou mais de 200%. Ela diz que, desde o começo da pandemia, teve um prejuízo
de mais de R$ 600 milhões e que, no ano passado, entrou com um processo de
recuperação judicial.
O
governo do estado criou em setembro do ano passado uma força-tarefa para
combater a ação de criminosos que furtam cabos e outros equipamentos na
ferrovia.
Mas
o descumprimento de investimentos necessários, previstos no contrato de
concessão, tem prejudicado os passageiros no dia-a-dia.
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Eles
sempre informam que é problema de cabo, que roubaram os cabos. Esse negócio de
cabo, roubo de cabo, essas coisas aí, a gente já não acredita mais, né?”.
O
que dizem os envolvidos
A
Secretaria de Estado de Transportes informou que eventuais pendências nos
investimentos da Supervia fazem parte do oitavo e do nono aditivos ao contrato
de concessão. E que esse assunto vem sendo tratado em negociações com a
empresa.
A
Supervia afirmou que enviou ao governo do estado a comprovação de investimentos
previstos no contrato de concessão.
CPI
dos Trens
Como
publicado pelo ED no dia 14 de março,
a Assembleia
Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) investiga as interrupções e
atrasos nos serviços de trens. A Presidente da CPI, a deputada Lucinha (PSDB)
falou sobre o impacto do serviço ofertado pela concessionária no cotidiano do
povo fluminense:
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As
irregularidades do sistema de trens vêm afetando a vida dos usuários.
Conversando com eles constatamos que muitas vezes um terço do que recebem é
gasto em passagens. Além disso, o trabalho informal é a realidade de grande
parte da população”.
Lucinha também informou que a CPI solicitou à Agência Reguladora de Serviços
Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de
Rodovias do Estado (Agetransp) um detalhamento de todas as multas já aplicadas
pela agência à SuperVia.
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