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Deputados já articulam aprovar posse e comercialização de armas | Riobrasil Noticias

Deputados já articulam aprovar posse e comercialização de armas

Deputados já articulam aprovar posse e comercialização de armas

19/10/2018 13:11:00 | Brasilia | Fonte: Jornal em Destaque











[Por: Bloomberg]



 



Impulsionados pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), que está à
frente nas pesquisas eleitorais para o 2º turno e é amplamente favorável ao uso
de armas de fogo, deputados alinhados com o capitão reformado do Exército já se
articulam para votar a revisão do Estatuto do Desarmamento. A mudança principal
é passar a permitir a posse de armas por qualquer cidadão, o que é proibido no
Brasil.



"Vamos votar o mais rápido possível a revisão do Estatuto do
Desarmamento. O ponto central é simplificar a lei permitindo a posse de
armas", disse o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), vice-líder do DEM e um
dos mais influentes parlamentares da bancada evangélica na Câmara, em grande
maioria apoiadora de Bolsonaro.



O projeto está pronto para ser votado no plenário da Câmara, depois de
anos tramitando em comissões. O texto prevê o "direito de possuir e portar
armas de fogo para legítima defesa ou proteção do próprio patrimônio",
reduz a idade mínima para a compra de armas de 25 para 21 anos, e as taxas
pagas ao governo.



Apesar de o texto aprovado na Comissão de Constituição e Justiça liberar
o porte, além da posse, esse ponto deve ser revisto no plenário pelos
defensores da revisão do estatuto. Isso porque há consenso entre os aliados de
Bolsonaro quanto à liberação da compra de armas para ter em casa, mas existem
resistências quanto ao porte em qualquer local.



Apesar de o assunto ser polêmico, é relativamente fácil de ser aprovado,
já que requer maioria simples de votos. Com a adesão suprapartidária a
Bolsonaro entre os congressistas, ele teria apoios suficientes para mudar as
regras.



"Se Bolsonaro for eleito, votamos esse assunto rápido",
afirmou o líder do PR na Câmara, deputado José Rocha (BA). Tanto Rocha quanto
Sóstenes, ambos reeleitos, acreditam que o projeto será aprovado até o início
do próximo ano legislativo.



Até a oposição vê alta probabilidade de mobilização em favor da
proposta. O deputado Julio Delgado (PSB-MG), também reeleito, prevê que o
estatuto será um dos primeiros pontos a serem tratados pela nova legislatura.



"Esse tema tem mais apelo, e os outros assuntos, como reforma da
Previdência, são mais conflituosos, então acho que eles começarão por aí",
disse ele, numa referência ao perfil predominantemente conservador dos
deputados recém-eleitos.



A liberação da compra de armas é recorrente nos discursos e está no
programa de governo de Bolsonaro, sendo uma das suas principais bandeiras de
campanha. "As armas são instrumentos, objetos inertes, que podem ser
utilizadas para matar ou para salvar vidas. Isso depende de quem as está
segurando: pessoas boas ou más", diz trecho de seu programa de governo.



Em live no Facebook em outubro, o capitão reformado defendeu o armamento
como legítima defesa: "Por que eu sempre defendi a posse de arma de fogo?
É você, cidadão de bem, com algumas poucas exigências ter uma arma dentro da
tua casa, da tua fazenda. Isso chama posse de arma de fogo, é você poder
reagir. O cara forçou a porta da tua casa, derrubou a porteira da tua fazenda,
você tem o direito de reagir, por isso, eu defendo arma de fogo para o cidadão
de bem", afirmou o candidato de extrema-direita.



Desde que Bolsonaro surgiu como um candidato viável eleitoralmente, a
maior fabricante de armas do Brasil, a Forjas Taurus S.A., viu suas ações mais
do que triplicarem em valor neste ano, devido às expectativas de que ele
vencerá a eleição presidencial. As ações subiram 299% no acumulado do ano e sua
volatilidade histórica de 100 dias está no nível mais alto desde pelo menos
2008, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.



Os fracos fundamentos da empresa foram compensados pelas apostas de que
o governo de Bolsonaro vai expandir o acesso a armas. "Forjas Taurus
continua em uma situação crítica, com alto endividamento. Mas o cenário de uma
vitória de Bolsonaro dá um fôlego para a companhia", disse Glauco Legat,
analista-chefe da corretora Spinelli, à Bloomberg por telefone.



O governo de Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em 2003 a lei do
Estatuto do Desarmamento. O principal ponto foi a proibição do porte de arma,
com exceção para os responsáveis pela segurança pública, integrantes das Forças
Armadas, agentes de Inteligência e da segurança privada.



No Brasil, é proibida a comercialização de arma de fogo e munição, salvo
aos profissionais com permissão de porte. A Polícia Federal pode autorizar
pessoas que demonstrem necessidade de posse de armas em casa, desde que
apresentem documentos sobre antecedentes criminais e aptidão psicológica para
manusear a arma.



Especialistas em violência advertem que flexibilizar a legislação armamentista
poderia inflar ainda mais os índices que fazem do Brasil um dos países mais
violentos do mundo, com mais de 63.000 homicídios em 2017. "Colocar mais
armas em circulação seria jogar gasolina num quadro que já está pegando
fogo", disse Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos de
Violência da USP.



Segundo o especialista, a flexibilização do estatuto do desarmamento
somada ao discurso de guerra contra o crime acirraria tensões sociais e poderia
até abrir caminho para a proliferação de grupos paramilitares.

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