Cresce número de mulheres empreendendo, mas ainda há muitas barreiras a superar
14/11/2018 20:37:00 | Outros | Fonte: Jornal em Destaque
Lançado
pela ONU, em 2014, o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, que acontece
nesta segunda-feira, 19, propõe um debate sobre os avanços e conquistas das
mulheres no mundo dos negócios. O Anuário dos Trabalhadores das MPE, publicado
pelo Sebrae, é um incentivo para mulheres que sonham estar à frente do próprio
empreendimento: os dados apontam que, entre 2005 e 2015, o número de mulheres
empreendedoras no Brasil cresceu 15,4% - saltando de 6,9 milhões para 8
milhões. Em contrapartida, são os homens que detém a maior parcela do mercado
nacional. Eles são donos 17,3 milhões de empresas. Os índices revelam também
que, em dez anos, a participação das mulheres no total de empreendedores passou
de 30,7%, em 2005, para 31,6%, em 2015, em todo o território nacional. Outro
fator relevante da pesquisa é que os negócios liderados por elas sobrevivem
mais em tempos de crise.
São
estes dados que têm inspirado mulheres nos quatro cantos do país a superarem
desafios e escreverem suas próprias histórias de sucesso. Mulheres como a
empresária e Chef Patrícia Lopes, que decidiu mergulhar de peito aberto no
universo corporativo e abrir as portas da Cook it, empresa do setor de
alimentação pioneira em produtos gourmet desidratados.
“Eu costumo dizer que dormi advogada e
acordei empresária”, conta ela. “Há
15 anos, quando decidi mudar de cidade, mudei também de carreira. Um dia, me vi
dona de um café comandando 18 pessoas. Mas, empreender não é uma tarefa fácil.
Ainda mais no ambiente feminino, onde tudo é ainda mais difícil porque temos de
encarar várias jornadas. Além de empresária, sou mãe e esposa; e eu não abro
mão de conciliar família e empresa”, revela a empresária, que declara fazer
questão de estar presente no café da manhã e de levantar todos os dias para
levar o filho à escola. “É um momento
muito especial para nós”, declara.
O
consultor de negócios e CEO da Contabilivre, Mauro Fontes, analisou os índices
e destacou as principais dificuldades das mulheres na hora de enfrentarem os
desafios de empreender.
“O mundo dos negócios é extremamente
competitivo para todos. Isto é fato! O problema é que elas são obrigadas a
superar fatores que vão além do mercado. Por exemplo, o sexismo(discriminação baseada
nos estereótipos de gênero) ainda é uma
barreira que elas enfrentam desde a hora da contratação até quando sonham em
abrir o próprio negócio”.
Analisando o mercado hoje, Patrícia Lopes confessa que as mulheres têm
características especiais, bem distintas dos homens.
“Acredito que há um diferencial em nós,
mulheres, quando se fala em empreendedorismo. Seja por criação mesmo, a gente
tende a se preocupar mais com o todo. Estamos sempre atentas aos detalhes e isto
faz muita diferença nos resultados”, afirma a empresária, que também é
blogueira, pesquisadora e food trotter. Ela completa: “O Brasil não é para amadores! Aqui temos que ser profissionais porque
enfrentamos dificuldades que vão além da dupla jornada. Mas, de uma forma
geral, é importante saber equilibrar as demandas e aceitar que você não vai ser
100% mãe, mulher, empreendedora, 100% do tempo”.
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Desafios e superação:
Muito
mais do que celebrar, a data também é uma oportunidade para refletir sobre os
muitos obstáculos enfrentados por elas dentro e fora do mundo dos negócios. Uma
análise divulgada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), por exemplo,
aponta que no Brasil dos 39,3% da Taxa Total de Empreendedores, 42,4% são homens
e 36,4% mulheres. Outro levantamento, feito pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (IPEA), revela que mais de 40% dos lares brasileiros
são chefiados por
mulheres e que elas possuem escolaridade média maior que a dos
homens. Esta mesma pesquisa aponta também que são essas as mulheres que administram suas
empresas, e ainda realizam as tarefas domésticas, cuidam dos filhos e ainda
estudam. Múltipla jornada que exige delas carga física e psicológicas extras,
para que tantas funções sejam executadas com qualidade e eficácia.
Segundo
o consultor de negócios Mauro Fontes, da Contabilivre,
“mesmo que em todo o mundo cerca de 30% de
todas as empresas privadas sejam geridas por mulheres, elas ainda sofrem muitos
julgamentos. Existem companhias, por exemplo, que ainda disseminam e acreditam
que homens são mais competentes quando o assunto é negócio. Isto impede que
elas encontrem um ambiente propício para crescerem e mostrarem habilidades. O
que é uma pena, porque quanto mais mulheres trabalham, mais a economia cresce e
o país agradece”, ressalta Fontes.
- Dados gerais (Fonte – Sebrae):
Anuário dos Trabalhadores das MPE
De 2005 a 2015, o número de mulheres empreendedoras teve
um incremento de 15,4%, enquanto que o de homens, 10,3%. Em 2005, eram 6,9
milhões de mulheres a frente de um negócio, em 2015, esse número saltou
para 8 milhões. Já o quantitativo de homens, donos de negócios, passou de
15,7 milhões para 17,3 milhões, neste mesmo período.
A participação das mulheres no total de empreendedores
no País passou de 30,7%, em 2005, para 31,6%, em 2015.
O rendimento médio real mensal das donas de
microempresas aumentou mais do que o dos donos de empresas, no período de
2005 a 2015. A alta do rendimento das microempresárias foi de 20%, nesse
período, enquanto o rendimento médio real mensal dos microempresários
subiu em ritmo menor: 14,5%.
A diferença entre os rendimentos dos homens e das
mulheres, donos de microempresas, diminuiu de 20,5%, em 2005, para 16,7%,
em 2015.
GEM Mulheres 2016
Entre os empreendedores novos (que possuem um negócio com
até 3,5 anos) as mulheres têm uma taxa de empreendedorismo superior a, dos
homens. A taxa delas é de 15,4% e a deles de 12,6%. Isto pode identificar
um movimento mais forte de entrada de mulheres na atividade empreendedora.
As mulheres empreendem mais por necessidade. Entre os
novos empreendedores, 48% delas empreendem porque precisam. Entre os
homens esse número cai para 37%. A taxa média de empreendedorismo por
necessidade é de 43%.
Em 2014, a principal motivação para o empreendedorismo
feminino era a oportunidade. Em 2015, essa situação mudou e mais da metade
das mulheres que começaram a empreender o fizeram por necessidade.
O possível motivo para esta queda é a crise e a um
ingresso mais forte de mulheres no mercado de trabalho, mas que optaram pelo
ingresso no mesmo para complementar a renda familiar.
Elas são mais jovens (mais de 40% das empreendedoras
têm até 34 anos, enquanto no grupo dos homens 36% têm até 34 anos); mais
escolarizadas (33,6% dos homens têm no máximo o primeiro grau incompleto,
esta proporção cai para 22,5% no grupo das mulheres); ganham menos (73,4%
recebem até 3 S.M. contra 59,3% nos homens);
As “Empreendedoras Iniciais” estão concentradas em
poucas atividades. Cerca de 49% dessas mulheres estão em apenas quatro
atividades: 13,5% no segmento de serviços domésticos, 12,6% em
cabeleireiros e/ou tratamento de beleza, 12,3% em comércio varejista de
vestuário e acessórios e 10,3% no Serviços de catering, bufê e outros
serviços de comida preparada
50% dos “Empreendedores Iniciais” do sexo masculino
estão distribuídos em nove atividades
85% das empreendedoras não tem nenhum empregado
atualmente, contra 66% dos homens;
43% das empreendedoras esperam criar algum emprego nos
próximos cinco anos, contra 54% dos homens;
72% das empreendedoras operam negócios que faturam até
R$ 24 mil/ano, contra 53% dos homens.
As empreendedoras trabalham com menos empregados,
faturamento mais modesto e expectativas mais modestas de criação de novos
empregos.
As mulheres desejam menos ter o próprio negócio, se
comparado aos homens. Entre eles, este é o terceiro sonho, já entre elas
cai para a quarta posição;
As mulheres corresponderam a 51,5% dos empreendedores
iniciais (com negócios abertos há no máximo três anos e meio) em 2016. Em
2015, elas representavam 49%;
Na região Centro-Oeste do país o percentual de mulheres
empreendedoras é superior à taxa nacional (58,6%);