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15 de Novembro de 1889: Data do Primeiro Golpe Militar no Brasil

15 de Novembro de 1889: Data do Primeiro Golpe Militar no Brasil

14/11/2018 23:23:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque




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"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR;mso-bidi-font-weight:bold">Meses
após o Marechal Deodoro da Fonseca enganar a própria mulher, burlar as
recomendações médicas e levantar da cama - onde havia passado a madrugada
daquele 15 de novembro febril - para proclamar a República brasileira, o país
já conhecia a primeira crítica articulada sobre o processo que havia removido a
monarquia do poder em 1889.



mso-fareast-language:PT-BR"> 



mso-fareast-language:PT-BR">Escrito pelo advogado paulistano Eduardo Prado, o
livro Fastos da Ditadura Militar no Brasil, de 1890,
argumentava que a Proclamação da República no Brasil tinha sido uma cópia do
modelo dos Estados Unidos aplicada a um contexto social e a um povo com
características distintas.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">A monarquia,
segundo ele, ainda era o modelo mais adequado para a sociedade que se tinha no
país. Prado também foi o primeiro autor a considerar a Proclamação da República
um "golpe de Estado ilegítimo" aplicado pelos militares.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">Hoje, 129
anos depois, o tema ainda suscita debates: enquanto diversos historiadores
apontam a importância da chegada da República ao Brasil, apesar de suas
incoerências e dificuldades, um movimento que ganhou força nos últimos anos -
principalmente nas redes sociais - ainda a contesta.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">"A
proclamação foi um golpe de uma minoria escravocrata aliada aos grandes
latifundiários, aos militares, a segmentos da Igreja e da maçonaria. O que é
fato notório é que foi um golpe ilegítimo", disse à BBC Brasil o empresário
Luiz Philippe de Orleans e Bragança, tataraneto de D. Pedro II, o último
imperador brasileiro, e militante do movimento de direita Acorda Brasil.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">Neste
ano, ele recebeu 118.457 votos no estado de São Paulo e se elegeu deputado
federal pelo PSL, partido do presidente eleito Jair Bolsonaro.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">"Quando
há ilegitimidade na proclamação de qualquer modelo de governo, não se consegue
estabelecer autoridade e, desta forma, não se tem ordem. É exatamente isto que
aconteceu na República: removeram o monarca e, no momento seguinte, foi um
caos", completa Orleans e Bragança, justificando a partir da história os
solavancos recentes da democracia brasileira.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">O
processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, deu novo
gás ao movimento pró-monarquia, impulsionado pelas redes sociais e pela
presença de grupos monarquistas nas manifestações contra o governo petista,
entre 2015 e 2016 - muitos deles, empunhando bandeiras do Brasil Império.



mso-fareast-language:PT-BR">Um movimento de elites



mso-fareast-language:PT-BR"> 



mso-fareast-language:PT-BR">A ideia de que a Proclamação da República foi um
"golpe" é engrossada pelo historiador José Murilo de Carvalho, que
escreveu um livro sobre os períodos monárquico e republicano do Brasil: O Pecado Original da República (editora Bazar do
Tempo). Um dos intelectuais mais respeitados no país, Murilo também admite que
é possível discutir a legitimidade do processo, como reivindicam os
monarquistas atuais.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">"Para
se sustentar (a reivindicação de legitimidade da proclamação), ela teria que
supor que a minoria republicana, predominantemente composta de bacharéis,
advogados, médicos, engenheiros, alunos das escolas superiores, além dos
cafeicultores paulistas, representava os interesses da maioria esmagadora da
população ou do país como um todo. Um tanto complicado", avalia.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">Ainda de
acordo com Murilo, não apenas foi um golpe, como ele não contou com a
participação popular, o que fortalece o argumento de ilegitimidade apresentado
pelos atuais monarquistas. Para ele, a distância da maior camada da população
das decisões políticas é um problema que perdura até hoje.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">"Embora
os propagandistas falassem em democracia, o pecado foi a ausência de povo, não
só na proclamação, mas pelo menos até o fim da Primeira República. Incorporar
plenamente o povo no sistema político é ainda hoje um problema da nossa
República. Pode-se dizer que as condições do país não permitiram outra solução
e que os propagandistas eram sonhadores. Muitos realmente eram", conta.



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mso-fareast-language:PT-BR"> 



mso-fareast-language:PT-BR">Especialista no período, o jornalista e historiador
José Laurentino Gomes, autor da trilogia 18081822 e 1889, concorda com a
leitura do "golpe". Para ele, no entanto, o debate sobre a
legitimidade da República é sobre "quem legitima o quê", o que está
ligado ao processo de consolidação de qualquer regime político.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">"O
termo legitimidade é muito relativo. Depende do que se considera o
instrumento legitimador da nossa República. Se ele for o voto, ela não é
legítima, porque o Partido Republicano nunca teve apoio nas urnas. Agora, se
considerar esse instrumento a força das armas, foi um movimento legítimo,
porque foi por meio delas que o Exército consolidou o regime", diz.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">Para
Laurentino, a questão envolve a luta pelo direito de nomear os acontecimentos
históricos que, no caso dos republicanos, conseguiram emplacar a ideia de
"proclamação" e não de "golpe".



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">"O
que aconteceu em 1889, em 1930 e em 1964 é a mesma coisa: exército na rua
fazendo política. Depende de quem legitima o quê. O movimento de 1964 não foi
legitimado pela sociedade, mas a revolução de 1930 o foi tanto pelos sindicatos
quanto pelas mudanças promovidas por Getúlio Vargas. A proclamação é contada
hoje por quem venceu", argumenta.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">Para o
historiador Marcos Napolitano, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e
Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), é possível, sim,
falar em golpe na fundação da República. Já questionar sua legitimidade, como
faz Orleans e Bragança, seria um revisionismo histórico incabível.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">"Se
pensarmos que a monarquia era um regime historicamente vinculado à escravidão
(esta sim, uma instituição ilegítima, sob quaisquer aspectos), acho
pessoalmente que a fundação da República foi um processo político legítimo que,
infelizmente, não veio acompanhado de reformas democratizantes e
inclusivas", explica.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">Segundo
José Murilo de Carvalho, é possível afirmar que a proclamação foi obra quase
totalmente dos militares, assim como conta o jornalista Laurentino Gomes em seu
livro 1889.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">"Só
poucos dias antes do golpe é que líderes civis foram envolvidos", explica
Murilo. Para o professor Marcos Napolitano, porém, o fato de ter sido uma
minoria a responsável por derrubar a monarquia não retira do movimento a sua
legitimidade.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">"Qualquer
processo político está ligado à capacidade de minorias ativas ganharem o apoio
de maiorias, ativas ou passivas, e neutralizarem outros grupos que lhes são
contra. Nem sempre um processo político que começa com uma minoria ativa
redunda em falta de democracia. Esta é a medida de legitimidade de um processo
político. Muitos processos políticos democratizantes, que mudaram a história
mundial, começaram assim. O que não os exime de serem processos muitas vezes
traumáticos e conflitivos", explica Napolitano.



mso-fareast-language:PT-BR">Monarquia como opção de regime político?



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">Orleans e
Bragança expressa uma alternativa que já existe há algum tempo entre um grupo
restrito de historiadores. O mais militante deles é o professor Armando
Alexandre dos Santos, da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul).



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">Frequentemente
convidado pela Casa Real para palestras e eventos, ele é amigo pessoal de D.
Luiz Gastão de Orleans e Bragança.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">Para
Santos, a República representou a instauração de uma ditadura jamais vivida até
então no Brasil.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR">"Foi
uma quartelada de uma minoria revoltosa de militares que não teve nenhum apoio
popular. A própria proclamação foi um show de indecisões: Deodoro da Fonseca,
por exemplo, só decidiu proclamá-la porque foi pressionado pelos membros do seu
grupinho que precisavam de um militar de patente para representá-los. Foi,
acima de tudo, um modismo, uma imitação servil dos EUA", argumenta.



mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-fareast-language:PT-BR"> 



Pela linha sucessória, Dom Luiz de Orleans e Bragança, atual
Chefe da Casa Imperial do Brasil - primogênito e herdeiro dinástico do Príncipe
Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança (1909-1981), neto de Dom Luiz de
Orleans e Bragança (1878-1921), bisneto da Princesa Isabel e trineto do
Imperador Dom Pedro II assumiria o trono
mso-fareast-language:PT-BR">, caso o país voltasse à monarquia. mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-bidi-font-family:Helvetica;
border:none windowtext 1.0pt;mso-border-alt:none windowtext 0cm;padding:0cm;
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mso-fareast-font-family:"Times New Roman";mso-bidi-font-family:Helvetica;
color:#5A5A5A;border:none windowtext 1.0pt;mso-border-alt:none windowtext 0cm;
padding:0cm;mso-fareast-language:PT-BR">Fonte: BBC Brasil
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