Escolas públicas do Distrito Federal, sendo uma delas em Ceilândia, a CED 7, já iniciaram o ano letivo sob a administração da Polícia Militar. O CED 7 passará a se chamar Escola da Polícia Militar da Ceilândia e no seu primeiro dia de aulas, pais e alunos testemunharam as mudanças: uniformes militares, cabelos curtos para meninos, meninas de coque; hasteamento da bandeira e execução do hino nacional, e aulas de educação moral e cívica sob a orientação de policiais e bombeiros responsáveis pelo comando disciplinar das escolas.
Este é o projeto piloto que está sendo implementado em quatro escolas públicas do DF desde a volta às aulas, no dia 11 de fevereiro.
Para levar à frente a militarização de escolas públicas, duas medidas foram essenciais: a criação da Secretaria Nacional pela Militarização das Escolas e a Militarização do Ministério do MEC, por meio da nomeação de militares para a pasta. Veja a lista abaixo:
General Francisco Mamede de Brito Filho – chefe de gabinete do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
Coronel Robson Santos da Silva – assessor especial do ministro da Educação.
Tenente-coronel Marcos Heleno Guerson de Oliveira Junior – diretor de política regulatória da Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior.
Coronel-aviador Ricardo Wagner Roquetti – Secretaria-executiva do MEC.
Miranda Freire de Melo – Oficial da reserva não remunerada da Marinha Eduardo – Secretário-executivo adjunto.
Luiz Tadeu Vilela Blumm – Coronel da reserva remunerada dos bombeiros – Diretor de gestão de fundos e benefícios do FNDE, Coordenador do financiamento estudantil oferecido pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).
Coronel da reserva Sebastião Vitalino da Silva– Coordenação-geral de materiais didáticos da SEB (Secretaria de Educação Básica). (Expectativa)
General Oswaldo de Jesus Ferreira – Presidência da Ebserh, responsável pelo gerenciamento dos hospitais universitários federais de todo o país.
A intervenção militar nas escolas faz parte de uma estratégia – liderada pelo governo Bolsonaro -, como já foi anunciado pelo governo federal, que é acabar com a alfabetização escolar, implementar a educação à distância e privatizar universidades públicas.
Se por um lado pais e estudantes comemoram tal iniciativa, por outro, há profissionais da educação contestando, afirmando que, contrário do que vem sendo dito pela Secretaria de Estado de Educação do DF (SEEDF) e divulgado amplamente pela mídia, a Gestão Compartilhada - nome dado à militarização das escolas - não está sendo um processo democrático e, segundo relatos de professores e do Sindicato dos Professores (SINPRO), está em curso um golpe contra professores, estudantes e as comunidades escolares.
“As assembleias que votaram pela militarização em três das quatro escolas, a ‘Comunidade escolar’, votou sim para a militarização, mas tais votações não foram legítimas”, alega o SIMPRO.
Na sexta-feira (15), O Estadão publicou matéria dizendo que a USP – Universidade de São Paulo, decidiu cancelar as matrículas de estudantes de colégios militares aprovados no vestibular por meio do Sisu. Segundo a matéria, o Comando do Exército e o Ministério da Educação consideraram a medida da universidade uma retaliação ao governo Jair Bolsonaro.