30 Anos sem Luiz Gonzaga. Legado do rei do baião permanece na cultura | Riobrasil Noticias

30 Anos sem Luiz Gonzaga. Legado do rei do baião permanece na cultura

30 Anos sem Luiz Gonzaga. Legado do rei do baião permanece na cultura

02/08/2019 11:49:00 | Miguel Pereira | Fonte: Jornal em Destaque

Luiz Gonzaga do Nascimento, popularmente conhecido como Luiz Gonzaga, é um dos nomes mais importantes da história da música popular brasileira. O cantor pernambucano ficou marcado por mostrar ao Brasil ritmos, até então, pouco expressivos, como o baião, o xote e o xaxado. Sempre acompanhado de uma sanfona e um triângulo, abordava em suas músicas o sofrimento do povo que habita o sertão nordestino. 

 

Nesta sexta-feira, 2 de agosto de 2019, completam-se 30 anos que Gonzaga morreu, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Mesmo depois de tanto tempo, as composições do autor ainda permeiam todo um povo nordestino e o seu legado continua espalhado por todo o Brasil. 

 


O Rei do Baião


O apelido não é à toa. Com composições marcantes como Asa brancaSúplica Cearense e Xote das Meninas, espalhou para todo o povo brasileiro o sofrimento do povo do sertão nordestino, assim como a alegria e o orgulho de ter as raízes do lugar de onde saiu. O estilo musical tocado nas festas juninas nunca mais seria o mesmo. O baião e o xote tomaram conta das festividades por todo o Brasil.

 


A origem


Nascido em 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga é filho de Januário José dos Santos Nascimento e Ana Batista de Jesus Gonzaga do Nascimento. Teve oito irmãos e foi o segundo dos filhos a nascer. Herdou a técnica dos instrumentos do pai, que também tinha habilidade com o acordeão.  

 

Exu


Cidade pernambucana, Exu é o lar de Luiz Gonzaga. E a cidade vive a cultura e o legado do cantor. O local tem um patrimônio cultural deixado pelo Rei do Baião, dentro do parque Aza Branca, nomeado em homenagem a uma das canções famosas do artista. No espaço, estão localizados a casa em que morou, com muitas fotografias e o Museu do Gonzagão, com acervo fonográfico, troféus e presentes. O sanfoneiro e a mulher, Helena, estão enterrados no mausoléu, um monumento funerário, que se encontra no parque. 

 

Produções


Diversos livros, documentários, músicas regravadas, monumentos e até um filme sobre a vida da estrela nordestina foram produzidos. O legado do cantor se espalhou mundialmente e a sua história ainda vive.

 

Miguel Pereira


Talvez poucos saibam, mas Miguel Pereira, município do centro-sul fluminense, foi escolhido pelo Rei do Baião como residência de fim de semana, onde revivia a paz e tranquilidade das suas origens nordestinas ao lado da família, incluindo o filho, Gonzaguinha, já nascido no Rio. Um dos principais guardiões desta história é o professor e historiador Sebastião Deister, que por mais de uma década pesquisou a história do Vale do Paraíba e é autor de uma coleção de sete livros sobre o tema, dedicando especial atenção à cidade de Miguel Pereira, onde vive até hoje.


Ao site Vírgula, ano passado, Sebastião contou que, em 1957, o músico nordestino mais aclamado do país, morador do Rio de Janeiro, estava cansado de viajar pelo Brasil para fazer shows e da sua relação conflituosa com o filho adolescente rebelde “que viria a se tornar o famoso cantor e compositor Gonzaguinha – e decidiu se instalar em um lugar perto da capital, onde pudesse reencontrar a paz do sertão. Miguel Pereira foi a cidade escolhida, onde passou a administrar uma fazenda na estrada de Ferreiros, batizada de Asa Branca, em homenagem à sua canção mais popular. Acredita-se que ele tenha feito isto para trazer o filho rebelde para o convívio simplório e tranquilo de amigos do interior, que pudessem conquistá-lo e fazê-lo esquecer as companhias perigosas do morro do São Carlos”, conta Deister, em referência à vida marginal que Gonzaguinha levava no Rio. “Aqui, ele estudou um tempo em um colégio no distrito de Conrado”, afirmou o professor.


Rapidamente o Rei do Baião se enturmou entre os moradores da pequena cidade fluminense e criou estreita relação com os seus personagens mais influentes, como o então prefeito, Frederico Wangler. “Nas festas de Santo Antônio realizadas entre 1957 e 1960, Gonzagão conduzia uma inusitada caravana pela cidade. Chegava ao largo da Igreja com um grande lençol e pedia aos cidadãos que o sustentassem pelas extremidades e o carregassem aberto à sua frente. Atrás, ele vinha com seus trajes nordestinos característicos, tocando sua sanfona branca e cantado seus sucessos a plenos pulmões”.




Sebastião Deister também lembrou que quando o município celebrou sua emancipação e alguns cidadãos começaram a se reunir em torno da ideia de construir um hospital, em 1957, rapidamente o artista se juntou ao grupo e se moveu para alcançar o objetivo. Passou a participar de shows populares na cidade para arrecadar dinheiro e incentivar pessoas a participarem da construção do Hospital da Fundação. “A campanha teve muito êxito. Com a participação da prefeitura e graças à chegada de generosas contribuições do Estado, doações dos sócios fundadores e da população miguelense, em julho de 1958 foi lançada a pedra fundamental do Hospital Santo Antônio da Estiva, da Fundação Miguel Pereira, inaugurado dois anos depois”, contou o historiador.


No mesmo ano, Helena Gonzaga, mulher do Rei do Baião, foi eleita vereadora em Miguel Pereira, pela hoje extinta UDN (União Democrática Nacional).


Outro episódio marcante da passagem de Luiz Gonzaga por Miguel Pereira foi um acidente rodoviário, em 1961, numa das viagens entre o Rio e o interior, que lhe valeu uma cicatriz no olho direito. Gonzaguinha e o músico Catamilho seguiam no mesmo carro, mas não sofreram ferimentos graves.


Em 1964, Gonzagão realizou o sonho de comprar um terreno em Exu, sua terra natal, no sertão de Pernambuco, e na mesma época se desfez da fazenda Asa Branca. Não partiu sem antes deixar duas músicas compostas sob a inspiração de Miguel Pereira e de seus personagens: “Forró de Cabo a Rabo”, que cita o ex-prefeito Zé Nabo, e “Boi Bumbá ou A Partilha do Boi”, na qual fala de um boi enviado a Miguel Pereira que teve a carne dividida entre famílias abastadas da cidade.


Hoje a passagem de Luiz Gonzaga é um marco muito importante para o município. Ele morou por seis anos na casa de uma de minhas irmãs, razão pela qual mantive vários contatos com ele, com Helena e os filhos Gonzaguinha e Rosinha. Na época, eu tinha apenas 17 anos de idade e não tinha condições de medir a importância e densidade daquele notável artista”, concluiu Deister.


Na próxima sexta-feira (9), haverá um show em homenagem ao Rei do Baião, no centro de Miguel Pereira. Ótima oportunidade de se reviver esse momento histórico da cidade e os sucessos deste grande artista.

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