O dito popular “em briga de
marido e mulher ninguém mete a colher” foi muito usado no passado e,
possivelmente, as novas gerações não o conheça. Infelizmente, o comportamento
social segue à risca esta que não é uma das melhores expressões de se falar,
muito menos de se obedecer. Em 2016, o país registrou 63.090 denúncias de
violência contra a mulher, o que corresponde a um relato a cada sete minutos.
Deste total, 85% dos casos aconteceu em ambiente doméstico e familiar! Já
passou da hora de familiares, amigos, vizinhos “meterem a colher” sempre que
tomarem conhecimento de alguém que esteja sofrendo algum tipo de violência,
seja física, psicológica (como ameaça, por exemplo), moral, cárcere privado ou
assédio sexual. Até porque, o medo paralisa, e esse tipo de agressor de
mulheres é especialista em pôr medo em suas vítimas.
O mês de setembro, em Miguel
Pereira, foi marcado por dois casos de feminicídio que, possivelmente, se
alguma pessoa próxima a estas mulheres tivesse metido a colher nas
primeiras agressões e ameaças, estas vidas não teriam se perdido.
Entretanto, quem mais
precisa se conscientizar de que tal dito popular deve ser desdito, é, sobretudo
e sobre todos, a própria mulher.