Assim como tem acontecido nos últimos anos, a grande
parte dos sambas-enredos das escolas vai trazer novamente em 2020 o tom
político e crítico, incluindo referências ao presidente Jair Bolsonaro e ao
prefeito do Rio, Marcelo Crivella.
O samba da Mangueira, vencedora do Carnaval desse ano,
traz uma menção indireta ao presidente e seu gesto de arma na mão e, também,
aborda a onda de conservadorismo dos últimos tempos. Vale lembrar que a
Mangueira emocionou o público na Sapucaí esse ano e foi campeã trazendo os
heróis esquecidos, negros e índios, da história e a homenagem à vereadora
Marielle Franco.
“A chegada de um novo grupo de carnavalescos com o
perfil inovador e altamente politizado é um dos pilares para essa leva de
sambas-enredos com pegada política”, diz Marcelo Guedes, coordenador do
Observatório do Carnaval da ESPM Rio. “Um exemplo disto é o Leandro Vieira,
carnavalesco da Mangueira, que pela terceira vez consecutiva cria um enredo
altamente politizado”, concluiu.
O humor afiado e crítico de Marcelo Adnet sai dos
roteiros de TV para o samba da São Clemente. Em parceria com os compositores
André Carvalho, Pedro Machado e Gustavo Albuquerque, o enredo “O Conto Do
Vigário” menciona a Lava-Jato, Laranjas, o presídio de Bangu e até fake news na
última eleição presidencial.
A Portela, que vai retratar a história dos índios, os
primeiros habitantes do Rio, também levanta questões do universo político
atual: “Índio pede paz, mas é de guerra. Nossa aldeia é sem partido ou facção.
Não tem bispo, nem se curva a capitão... Pro imenso azul do céu. Nunca mais
escurecer”