Como se não bastasse a polarização ideológica que surgiu
a partir das eleições gerais no Brasil e dividiu a nação, ano passado, agora
vemos brasileiros assumindo pontos extremos e se digladiando na Internet, desde
que Evo Morales (ex-presidente da Bolívia) renunciou, domingo (10). Isto, de
alguma forma, mostra que as agressões de toda sorte, a ignorância e os “crimes”
cometidos contra a democracia brasileira, pelos próprios filhos da pátria (uns
contra os outros), naquela ocasião, não cessaram.
A forma odiosa com que a ultradireita chegou ao poder,
na pessoa do presidente Jair Bolsonaro, e a postura do ex-presidente Lula, ao
deixar a prisão, alimentam um sentimento perigoso na população, assim como a gasolina
lançada na fogueira, alimenta a chama.
Lula não é Paz e Amor, coisíssima nenhuma, ainda que ele
o declare. Paz e Amor foi Nelson Mandela que, após sair da prisão, em 1990,
onde permaneceu confinado por 27 anos, repetiu a mesma frase que usou durante
seu julgamento, em 1964: “Tenho lutado contra a dominação branca e tenho
lutado contra a dominação negra. Defendo o ideal de uma sociedade livre e
democrática onde as pessoas vivam em harmonia, com oportunidades iguais. É um
ideal pelo qual desejo viver e atingir. Mas se for preciso, é um ideal pelo
qual estou disposto a morrer”.
Lula, em seus discursos em Curitiba e no ABC Paulista,
longe passou de quem busca plantar a paz e o amor. Talvez seja um pesado trabalho
para a sua assessoria fazer – quase o “13º Trabalho de Hércules” –, que dê ao
ex-presidente sanas condições de rever seu conceito de paz e de amor.
Bolsonaro, com sua não rara expressão de portador de
transtornos psicológicos, desferiu golpes de palavras ofensivas ao
jornalismo da Rede Globo, ao ser citado no caso Marielle Franco, quando poderia
ter ignorado, ou mesmo falado com sobriedade, utilizando-se da consciência de
quem “não tem nada a temer”. A postura do presidente, mais parecia a, dessas
pessoas que não sabem lidar com a verdade, quando são pegas em um deslize e
repreendidas, reagindo com ignorância, do que de um chefe de Estado.