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Análise do filme O Poço

Análise do filme O Poço

09/04/2020 16:51:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque

Por Helio de
Carvalho



 



Odiado por
uns e amado por outros, o filme O Poço, do estreante como diretor de
longa-metragem, Galder Gaztelu-Urrutia, disponível na Netflix, é uma
excelente dica para quem não se importa em se deparar com o pensamento crítico
e cru sobre a natureza humana, quando se é exposta ao isolamento extremo e à
condição desnivelada de sobrevivência.





Em tempos do
novo coronavíruas é, sim, possível se fazer uma relação; entretanto, optei em permear
o caminho que considero ter sido o escolhido por Urrutia: Deus – religião –
homem “caído”.





O longa
parte de uma frase que dita o seu conceito: “Existem três tipos de pessoas. As
de cima, as de baixo e as que caem”.
 Eu
prefiro acreditar que,


na verdade, não há três tipos e, sim, um só tipo de
pessoas que “funcionam” de maneiras diferentes, dependo apenas da condição em
que se encontram.





Para quem ainda não assistiu o filme, vale explicar que ele
se passa em
uma prisão
vertical conhecida como O Poço, e é protagonizado por Goreng que faz por conta
própria a escolha de ir para o local, com o intuito de parar de fumar. Lá
dentro, ele conhece o velho Trimagasi, seu “companheiro de cela”. O ancião
explica para o jovem como funciona o dia-a-dia: não há contato com a luz do sol
nem possibilidade de se exercitar do lado de fora. 




A única ação que ambos têm
durante todo o tempo é esperar por uma plataforma de comida que se move para
baixo entre os andares, todos os dias. Como Goreng e Trimagasi estão no nível
48 do Poço, eles precisam aguardar que os dois presos em cada um dos 47 níveis
acima se alimentem até que os restos cheguem ao seu andar e, assim,
sucessivamente.





Preparado no
nível zero, o luxuoso banquete fica em todos os níveis por apenas dois minutos
antes de descer para o próximo. Nenhum preso pode guardar restos consigo, com o
perigo de receber punição. Conforme o tempo passa, Trimagasi explica para o
protagonista que nem sempre eles terão com o que se alimentar e que os presos
dos andares de cima pouco se importam com quem está abaixo. O único alento e, também
o maior medo de quem vive no Poço, é que a cada 30 dias as duplas trocam de
lugar aleatoriamente. Quem está no nível um pode ir parar no 147, por exemplo,
e quem está no 147 pode ir para o nível um. Esta dinâmica faz com que todos os
presos passem pelas mais diferentes situações, o que em alguns casos pode
significar atingir o limite que um ser humano pode chegar ao tentar manter a
sanidade e a sua sobrevivência passando muita fome.






É uma
metáfora sobre os terrores desse sistema, onde cada indivíduo se esbalda
durante o seu tempo no topo, enquanto as massas invisíveis no fundo se comem
vivas.





Durante sua
experiência, Goreng percebe que ninguém é beneficiado na prisão, mas quase
todos resistem obstinadamente às mudanças, incentivando cada indivíduo a comer
o máximo que puder enquanto estiver em situação favorável.





Uma nova
personagem surge, a Imoguiri, que em meio ao caos, acredita que “
border:none windowtext 1.0pt;mso-border-alt:none windowtext 0cm;padding:0cm">somente
uma solidariedade espontânea pode trazer mudanças
”, considerando
que se todos se alimentassem com o que apenas foi reservado para si, haveria
comida para todos. Mas, como fazer essa mensagem ser notada quando quem tem em
abundância apenas quer mais, enquanto os que não têm nada vão se transformando
em canibais?





Neste
contexto, Urrutia não se polpa em chocar o espectador com cenas que deixariam
qualquer fã da franquia 
mso-border-alt:none windowtext 0cm;padding:0cm">Jogos Mortais orgulhoso.

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