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A Intolerância Racial, Religiosa e o Coronavírus

A Intolerância Racial, Religiosa e o Coronavírus

08/06/2020 10:22:00 | São Paulo | Fonte: Jornal em Destaque

Claudia Alice Xavier, mais conhecida como
mãe Claudia Rosa de Oyá, nascida em São Paulo - Capital, é um dos
nomes que representa a religião de matriz africana no estado de São Paulo,
sendo nestes anos, mais do que nunca, uma grande lutadora pela igualdade e o
respeito as religiões de matriz africana.  É sabido que o preconceito e a
intolerância racial e religiosa foram e têm sido uma das causas mais discutidas
e defendidas pela mãe Claudia do Ilê Asé Ojú Oyá (Casa de Axé:
"Os Olhos de Iansã"). A mãe está à frente da casa há 12 anos. 





Conversei com Claudia Rosa de Oyá para saber qual a sua
percepção sobre o tema desta matéria. Acompanhe!





Entrevista exclusiva com a mãe
Claudia 





- O que a senhora entende por Intolerância Religiosa?





- Todo o desrespeito a religião alheia é
Intolerância. Todavia, a intolerância ao candomblé se dá em razão de o
candomblé ter advindo do povo negro. A bem da verdade, o que sofremos é racismo
religioso, pois todas as violências vivenciadas pelo candomblé vêm do fato de
ser uma religião, quase que majoritariamente, negra. O candomblé é cultuado há
mais de 2.000 anos e que se espalhou pelos porões dos navios. Seja por meio dos
hábitos alimentares, costumes trazidos e passados de um para o outro. Na nossa
religião se cultua a ancestralidade, pois o respeito aos mais velhos é
prioridade e quando desrespeitam a nossa fé, o fazem aos nossos ancestrais, que
tanto sofreram para perpetuar a sua fé





- O que pensa sobre o novo coronavírus dentro do
contexto das religiões?





Trata-se de um momento para se conscientizar,
refletir, pensar e repensar, orar, meditar sobre toda a maldade, ora praticada
entre os seres humanos, o desamor e o materialismo. Sem falar da importância do
momento para a união entre os povos e a integração, o fomento, promoção da fé,
literalmente falando





- Qual a participação da senhora em projetos sociais e
quais as perspectivas para o futuro a frente do Ilê?





- Procuro estar sempre presente nas atividades
sociais, principalmente nos movimentos das mulheres negras através da marcha
mundial das mulheres negras. Participo da RENAFRO ( Rede Nacional de
Saúde nos Terreiros), participo do mulheres de axé do Brasil enquanto
conselheira nacional e também como coordenadora do núcleo do estado de São
Paulo, onde temos uma coordenação tripartiti, constituída de três
Ialorixás que também são conselheiras nacionais; mãe Maria Emília de
Oyá de São Bernardo do Campo, Mameto Luidiiji e mãe Ofá
.





- Qual a Importância da união entre as religiões?





- Muito grande, pois a partir do momento em que
houver a troca de conhecimentos nestes tempos de Inter - religiosidade as
coisas fluíram e a paz reinará





- Há quantos anos a senhora é mãe de santo?





- Sou mãe de santo há 15 anos, tendo 24 anos de santo
feito





- Quais os principais princípios de seu Ilê?





- O amor, a gratidão e o respeito

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