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LUTO NA INFÂNCIA: Como falar sobre morte com crianças em tempos de Covid-19

LUTO NA INFÂNCIA: Como falar sobre morte com crianças em tempos de Covid-19

11/06/2020 14:25:00 | Região Nordeste | Fonte: Jornal em Destaque

Com a
chegada da Covid-19, tornou-se ainda mais difícil lidar com o tabu da morte. O
isolamento social e a falta de rituais de despedida são complicadores para a
vivência do luto em tempos de pandemia. O quadro se agrava ainda mais quando é
preciso falar sobre morte com as crianças. Muitas vezes, na tentativa de
protegê-los, os adultos evitam um contato inevitável da criança com essa
temática. Visando facilitar a comunicação entre pais e filhos, a Escutha Psi,
instituição referência em educação continuada para os cuidados em saúde,
juntamente com a Editora UECE, lançaram o ebook gratuito “Como comunicar às
crianças a morte de um ente querido por Covid-19?”. O objetivo é tornar o
assunto mais acessível para as famílias e desenvolver com cuidado a aceitação
da perda na criança. Clique
aqui para baixar a cartilha. 



 



De acordo
com Fernanda Lopes, diretora da Escutha, psicóloga hospitalar e coautora do
E-book, a morte ainda é um tabu social que as pessoas evitam falar a qualquer
custo e esse tabu é reverberado para outras gerações. “
Temos a ideia errônea
de que evitar falar sobre morte vai nos impedir de viver a dor e o sofrimento.
Mas ela é inevitável, e quando encontramos espaço para o diálogo é o momento em
que abrimos uma janela para que esse processo seja vivido de maneira mais
confortável. Sendo assim, isso não é diferente com as crianças. Evitar falar
sobre isso não protege as crianças do processo do luto, bem como pode ser um
grande complicador na vida adulta
”, disse.



 



De acordo
com a psicóloga clínica e coautora do e-book, Juliana Vieira, muitos pais se
equivocam no momento de comunicar a morte de um ente querido, utilizando uma
linguagem fantasiosa com a criança. “
Não devemos falar que a pessoa querida
que faleceu foi viajar, está dormindo ou papai do céu levou. A criança precisa
ter uma sensação concreta e racional sobre o que aconteceu, até mesmo para não
gerar perda de confiança, sensação de revolta ou o sentimento de ter sido
abandonado pela pessoa querida. Além disso, temos que dar espaço para a criança
falar o que se sente e abrir um diálogo sobre isso, podendo até mesmo usar uma
linguagem com elementos lúdicos para que a compreensão seja mais fácil
”.



 



Criança e
Luto em tempos de Covid-19



A diretora
da Escutha Psi, Fernanda Lopes, também explica no e-book como falar sobre isso
de maneira mais fácil em tempos de Covid-19. “
Uma das formas é lembrar a
criança de experiências de perdas anteriores (pode ser um bichinho de
estimação, uma plantinha) e usar essa experiência para ajudar na situação
atual. Se houver rituais virtuais, é necessário estimular a criança a fazer
alguma homenagem (seja via cartinha, vídeo, cantar uma música) e se esforçar
para que as homenagens da criança chegue até lá, validando o seu esforço e a
criação. É necessário se manter perto da criança fisicamente, responder os seus
questionamentos de forma honesta e repetidas vezes se for preciso, além de
permitir que a criança expresse todos seus sentimentos sobre a perda
”,
explica.



 



A
supervisora pedagógica da Escutha Psi, Juliana Vieira, reforça que podem surgir
várias reações emocionais e comportamentais na criança que são normais nesse
período. “
Inquietação, isolamento, ansiedade e até enurese (fazer xixi na
cama) são sintomas que consideramos normal no período do luto. Mas é preciso
entender que, assim como para os adultos, o luto é um processo individual para
as crianças e que dura o tempo que precisa durar, dependendo muito da relação
que o pequeno tinha com a pessoa querida. Caso ocorra muitas mortes na família
da criança devido à Covid-19, é necessário ficar mais próximo e atento às
reações, além de procurar apoio psicológico para ela
”.

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