São Paulo –
O mundo está confiante numa solução para o coronavírus por meio da vacina da universidade
inglesa de Oxford. Os testes estão na fase 3, a última, que determinará se a
vacina é realmente eficaz uma vez testada em uma amostragem maior de pessoas.
Na última semana, as experiências preliminares foram positivas em relação à
resposta imune dos voluntários.
O que muitos
se perguntam é como o Reino Unido conseguiu chegar tão rápido a uma das
soluções mais promissoras contra a Covid-19. A resposta é o investimento
governamental em pesquisas e uma rede colaborativa entre Universidade, Governo
Indústria, que possibilita o compartilhamento, quase que imediato, de dados
preciosos para o desenvolvimento de soluções para a saúde, alinhando as
prioridades governamentais com focos em pesquisa e desenvolvimento dos outros
atores do sistema.
Detalhes sobre
isto foram passados no webinar “A Estratégia Industrial do Reino Unido e o
Caminho para a Inovação”, realizado no último dia 22/07 pelo Governo Britânico
no Brasil. Um dos pilares desta estratégia de incentivo constante à ciência e à
pesquisa em saúde é o investimento crescente do governo que pretende chegar a
4,7 bilhões de libras em quatro anos.
A Dra.
Deborah Spencer, Head de Parcerias entre Universidade e Indústria da
Universidade de Oxford, relatou que foi a partir do relacionamento da
universidade com o Governo Britânico no Brasil que foi possível trazer a
pesquisa de Oxford em parceria com o grupo anglo-sueco AstraZeneca para o
Brasil.
Ela também
falou sobre um fundo de R$ 600 milhões da universidade que permite que diversas
empresas spin-offs, ou seja, que trabalham paralelamente ao trabalho acadêmico
da universidade, se desenvolvam. “É um ecossistema muito atraente para
jovens empreendedores, que saem da própria universidade”, diz Deborah.
Segundo
Alison Cave, Diretora do ISCF (Industrial Strategy Challenge Fund) do Reino
Unido, na área de Detecção de Doenças e Dados para Diagnóstico Precoce Data e
Medicina de Precisão, o investimento que o país vem fazendo na área de Ciências
da Vidaao longo dos anos foi a chave para estruturar três dinâmicas que são
fundamentais a esse processo: pesquisa interdisciplinar, engajamento crescente
entre indústria e academia e colaboração também crescente de empresas jovens e
menores com as já estabelecidas.
Outro ponto
focal do ICSF é, além de acelerar a pesquisa, conseguir prover medicamentos
para a população. “São 197 milhões de libras investidos para desenvolver
tecnologias para a produção de remédios e acelerar o acesso a novas drogas e
tratamentos. Entre estes investimentos, 66 milhões de libras para o centro de
produção de vacinas, 13 milhões para o centro de produção de medicamentos e 12
milhões para o centro de terapia com células e genes”, explicou.
Arly Belas,
Gerente Regional de Ciências da Vida para América Latina e Caribe do Reino Unido relata que o propósito do Governo Britânico no Brasil é justamente expandir
parcerias na área de pesquisa e desenvolvimento farmacêutico, como a que
envolve o estudo para a vacina contra o Sars-CoV-2.
“No
Brasil trabalhamos promovendo colaborações institucionais e comerciais entre
empresas e instituições brasileiras e britânicas nos segmentos de diagnóstico,
farmacêutica, biotecnologia, equipamentos médicos, saúde digital, gestão em
saúde, entre muitos outros temas. No atual cenário, nosso grande objetivo é
maximizar estas parcerias”, pontua Arly.