|
espanhol ingles portugues brasil alemao italiano Chines

26/05/2025 - Signo de Peixes | 20/02 a 20/03



Homem branco e seu lugar de fala: o privilégio da transformação | Riobrasil Noticias

Homem branco e seu lugar de fala: o privilégio da transformação

Homem branco e seu lugar de fala: o privilégio da transformação

21/08/2020 14:43:00 | São Paulo | Fonte: Jornal em Destaque

Por: *Ronaldo Ferreira Júnior



 



Segundo
a Women in S&P 500 Companies de 2020, mais de 95% dos
CEOs das maiores empresas são homens. Vivemos em uma sociedade patriarcal com
um discurso estruturado a partir do homem branco e heterossexual, em
que ele fala sobre tudo, é sempre ouvido e sua opinião importa. 



Partindo
deste processo de construção da sociedade, tudo passa a ser observado através
da racionalidade branco-normativa, ou seja, nosso entendimento ou conceito sobre
qualquer assunto é visto por este único ângulo. É como se o homem
branco fosse um ser universal, dono da razão, enquanto os demais apenas
ramificações com visões limitadas. E quando buscamos formas de ampliar esse
espectro, para que se percebam todas as vozes, é que nos deparamos com o
polêmico e famoso termo “lugar de fala”. Por que é tão
importante saber a resposta para esta pergunta: Qual é seu lugar
de fala? 



Porque
o lugar de fala desconstrói a ideia de um ponto de vista universal sobre o que
é “normal”. As pessoas são diferentes e têm experiências de vida
completamente distintas. Aqui, se queremos incluir todas as vozes, temos
de abrir o debate, ou seja, uma pessoa ou um grupo não deve falar pelo todo,
pois assim exclui qualquer possibilidade de integração e evolução a partir do
debate e do pensamento crítico.  



Primeiro,
vamos entender e alinhar alguns pontos: todos nós seres humanos temos um lugar
de fala. Então não se trata de “dar voz” aos diversos grupos de
pessoas, mas sim garantir que sejam ouvidos. Por isto a ideia é abrir
espaços para que todos falem sobre tudo, reforçando o discurso que se constrói
baseado em nossas vivências, nos lugares onde estamos e principalmente na
estrutura social que vivemos. 



E, antes
de continuar este texto, precisamos conceituar alguns termos: 





Protagonista – é quem
fala com propriedade a partir da sua vivência. Uma pessoa trans, por exemplo,
que divide seus medos em relação à transfobia, está em seu lugar de
fala como protagonista da causa. 



Especialista – é quem
conhece a causa a partir de estudos e pesquisas que comprovam suas teses. Um
especialista pode ou não ser um protagonista. 



Aliado – é
alguém que reconhece sua situação de privilégio, e a partir dela exerce ações
afirmativas, se manifestando no sentido de reduzir ou impedir ações que possam
resultar em desigualdades ou injustiças contra grupos mais vulneráveis. 



 



Privilégios
são concedidos com base na opressão de outras pessoas ou grupos, por isso,
antes de mais nada, o homem branco precisa entender os seus, se questionar e
assumir sua responsabilidade na luta para uma sociedade mais justa. Sua
fala a partir do seu local de privilégio deve ser como a de um aliado, sem
tirar o protagonismo de outras pessoas ou grupos, ajudando a fortalecer e
amplificar suas vozes. 



Por
mais que haja boa vontade em entender como é ser parte de um grupo minorizado,
não há como vivenciar essa realidade de fato. O homem hétero branco jamais
vivenciará o sentimento de ser vigiado em uma loja por conta de sua
cor. Ele não sentirá medo ao andar de mãos dadas com a pessoa que
ama, por conta da homofobia. Raramente irá planejar com qual roupa se
vestir para evitar assédio de outros homens assim que sair portão afora.
Entender essas realidades é exercitar a empatia. A conscientização precisa
ser diária e deve ser praticada à exaustão, mas isso não coloca uma
pessoa privilegiada no lugar de quem sofre qualquer tipo de preconceito
ou violência por não estar dentro dos padrões normatizados. 



Você
já ouviu frases do tipo: “Ah, então só por que sou branco, eu não posso
falar de racismo?”; “Só por que não sou gay, eu não posso falar de
homofobia?”. Claro que podemos falar. Se vamos dialogar, podemos
falar sobre qualquer tema, isso se chama liberdade de expressão. Nos conectamos
e aprendemos quando conhecemos o outro, porém, temos de entender onde nos
posicionarmos. Se não vivenciamos a “dor”, se não sofremos o preconceito e a
discriminação, estamos em um lugar de privilégio e, a partir desse lugar,
devemos ampliar a voz dos protagonistas. Como aliados, apoiar e endossar
a fala em prol dos protagonistas. Colaborar na propagação de ações afirmativas
pela diversidade e inclusão. Cabe aqui aquela famosa frase que diz: NADA SOBRE
NÓS, SEM NÓS. 



Então
quando devemos ou não falar? Ou melhor, quando silenciamos por respeito e não
por omissão? É a partir deste ponto que introduzimos um conceito que
deve vir sempre acompanhado do lugar de fala: quando devemos estar no
lugar de escuta ou no lugar de cala?  



Vamos
a alguns exemplos para entender melhor: os negros trazem a pauta do
racismo estrutural há anos e são ignorados ou silenciados; no entanto,
quando um homem branco fala sobre o assunto, partindo da sua posição de
privilégio na sociedade, ele é ouvido e acaba se transformando em uma espécie
de “referência” na defesa da causa antirracista. O que vemos aqui é um
ciclo vicioso: vozes brancas sendo ouvidas enquanto as negras são silenciadas,
mesmo quando a pessoa que fala não é protagonista, ou seja, nunca foi vítima de
racismo.  



No
mundo corporativo, nas reuniões diárias, quantas vezes presenciamos mulheres
sendo interrompidas por homens tentando explicar o que elas queriam
dizer?  

Continue lendo em jornalemdestaque

Compartilhe!




QR Code:


















© Copyright 2003 / 2026 | RIOBRASIL DESENVOLVIMENTO DE SITES, SISTEMAS E ENTRETENIMENTO

SITES DO GRUPO : www.riobrasil.net - riobrasil.com.br - rb1.online - rb1.site


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.