Cenário histórico e berço da cultura cafeeira do Brasil,
a região ressurge como destino turístico de vanguarda. Você talvez já tenha
ouvido falar das fazendas históricas e do declínio do café no século XIX. O
Vale do Café, no estado do Rio de Janeiro, é, sem dúvida, um dos maiores
expoentes quando o assunto é patrimônio cultural - de palácios coloniais a
pitorescos monumentos. A região mantém intacto o legado de um mix cultural
inigualável e único. Dos europeus, a presença na arquitetura das imponentes
fachadas e nas folias. Dos puris (grupo indígena considerado extinto e que
também eram chamados coroados), a gastronomia, a cerâmica e o artesanato. Dos
africanos, a herança no ritmo do jongo (dança de roda de origem africana) e a
resiliência dos celebrados Manoel Congo e Mariana Crioula. São tantos
personagens marcantes que é impossível eleger um representante. Da fascinante
Eufrásia Teixeira Leite, natural do município de Vassouras e primeira mulher
investidora da Bolsa de Valores do mundo, a Joaquim Osório Duque Estrada,
nascido na cidade de Paty do Alferes e autor do hino nacional brasileiro. A
região é rica em histórias e causos surpreendentes. Um dos mais emblemáticos
talvez seja a Flor de Carne que surge todos os anos no período de
finados no túmulo do pároco Monsenhor Rios, no Cemitério de Nossa Senhora de
Conceição, em Vassouras, considerado um dos mais bonitos do país. Atribuída
misteriosamente aos feitos humanitários de Rios, que dedicou parte de sua vida
a garantir sepultamento digno aos escravizados, a flor de carne
desabrocha em apenas dois lugares no mundo: no sudeste asiático e no coração do
Vale do Café.