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2 Milhões de doses da Oxford-AstraZeneca não chegaram ao Brasil | Riobrasil Noticias

2 Milhões de doses da Oxford-AstraZeneca não chegaram ao Brasil

2 Milhões de doses da Oxford-AstraZeneca não chegaram ao Brasil

18/01/2021 20:44:00 | Brasília | Fonte: Jornal em Destaque

A vacinação
contra a Covid-19 já começou no Brasil, com uma enfermeira do
Instituto Emílio Ribas recebendo a primeira dose da CoronaVac, vacina produzida
pelo Instituto Butantan e pela farmacêutica chinesa Sinovac. Mas o governo
federal pode ver atrasos em outra vacina prometida pelo Ministério da Saúde
para o Plano Nacional de Imunização: a da Oxford/AstraZeneca.





Duas milhões
de doses da universidade britânica e pela farmacêutica americana, fabricadas
pelo laboratório indiano Serum, já deveriam estar em solo nacional. Na última
quinta-feira (14), um avião brasileiro estava programado para decolar rumo
à Índia para buscar essas doses. Entretanto, os imunizantes prometidos ao
governo brasileiro não puderam ser entregues e o próprio Itamaraty confirmou
que o país iria atrasar a entrega.





A negativa
oficial da Índia ao Itamaraty aconteceu após uma série de desencontros entre o
que foi anunciado pelo governo federal e o que os indianos planejavam. No mesmo
dia em que a comitiva brasileira deveria partir para buscar as doses, o
Ministério das Relações Exteriores da Índia já demostrava que o acordo poderia
não acontecer.





O jornal
indiano The Times of India afirmou que o ministro de Relações
Exteriores Anurag Srivastava disse que a prioridade do governo indiano é
operacionalizar a sua própria campanha de imunização.





É muito
cedo para dar uma resposta específica sobre o fornecimento a outros países.
Ainda estamos avaliando os cronogramas de produção e a disponibilidade para
tomar decisões a esse respeito. Isso pode tomar algum tempo
, disse Srivastava em coletiva de
imprensa. Após o desencontro de expectativas entre o governo brasileiro e o
governo indiano, o Itamaraty confirmou que a Índia não poderia atender a
demanda nacional de prontidão.





Segundo
informações do Ministério das Relações Exteriores, o ministro Ernesto Araújo
telefonou para o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, no dia em que o
site indiano Hindustan Times publicou uma notícia informando que,
segundo fontes do governo indiano não identificadas na matéria, ainda não há
previsão de quando a Índia autorizará o fornecimento dos imunizantes a outros
países, incluindo o Brasil.





De acordo
com o Itamaraty, Jaishankar manifestou a intenção de atender ao pedido
brasileiro
nos próximos dias, mas não indicou uma data para que as doses
da vacina sejam liberadas. Ainda segundo a pasta, o chanceler indiano atribuiu
o atraso na liberação a
problemas logísticos decorrentes das
dificuldades de conciliar o início da campanha de vacinação no país de mais de
1,3 bilhão de habitantes ao fornecimento de imunizantes para outras nações.





Resposta
brasileira





A negativa
por parte do governo indiano afeta diretamente os planos do Ministério da Saúde
do Brasil na campanha de vacinação nacional, que tem seu início marcado
para esta segunda-feira. As duas milhões de doses do imunizante que virão da
Índia estão nos cálculos do governo para garantir o início da vacinação.





Em
entrevista à TV Bandeirantes, Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu que o
cronograma definido pelo governo federal para o transporte das vacinas seria
atrasado em
no máximo três dias. Na ocasião, o presidente também lembrou
que a campanha de vacinação na Índia afetou diretamente a disponibilidade do
país em ofertar doses para outras nações.





Foi tudo
acertado para disponibilizar dois milhões de doses. Só que hoje, nesse exato
momento, está começando a vacinação na Índia. um país com 1 bilhão [de
habitantes]. Então, resolveram aí atrasar um ou dois dias até que o povo comece
a ser vacinado lá. Porque lá também tem as pressões políticas de um lado e de
outro. Isso daí, no meu entender, daqui a dois ou três dias no máximo, nosso
avião vai partir e vai trazer esses dois milhões de vacinas para cá
, afirmou Bolsonaro na última
sexta-feira (15).





Após a fala
de Bolsonaro, três dias se passaram e as vacinas continuam em solo indiano. O
próprio Instituto Serum da Índia tem prazos diferentes para garantir a entrega.
Segundo o The Times of India, o diretor do instituto, Adar Poonawalla,
informou no último sábado (16) que acredita que os imunizantes devem ser
enviados ao Brasil em duas semanas. A expectativa de Poonwalla foi confirmada
pelo canal de notícias americano CNN.





Nesta
segunda-feira (18), a coluna do jornalista Jamil Chade no portal de
notícias UOL informou que o próprio governo federal ainda não tem uma
data exata para o fornecimento das doses ao Brasil, citando fontes diplomáticas
em Brasília.





Segundo a
coluna, o impasse maior é justamente a demanda indiana com a sua própria
vacinação. Além disso, a Índia possui um olhar geopolítico em relação as doses.
O país estuda conceder vacinas a preços simbólicos primeiramente a países
vizinhos, como Sri Lanka, Bangladesh e Nepal. O objetivo é fortalecer a
influência do país na região, disputada também pela China.





Também nesta
segunda-feira, Bolsonaro postou uma foto ao lado do embaixador da Índia, Suresh
Reddy. Na publicação, porém, o presidente não deu detalhes sobre qual foi a
pauta discutida no encontro e apenas informou que se reuniu com o representante
indiano pela manhã.





Avião foi
deslocado para outras funções





Primeiramente,
o plano do governo federal era utilizar uma aeronave para realizar o transporte
das vacinas da Índia ao Brasil. A aeronave, que estava no Recife (Pernambuco)
desde a última quinta-feira, iria para Campinas (São Paulo) e seguiria até
Mumbai pegar o imunizante. Porém, precisou retornar à metrópole do interior de
São Paulo na madrugada do último sábado (16), após o fracasso na negociação
entre o governo brasileiro e a Índia para a importação imediata da vacina.





O avião foi
redirecionado para outro uso nacional. A aeronave da Azul Linhas Aéreas A330neo
foi utilizada para levar cilindros de oxigênio a Manaus, capital do Amazonas,
que vive um colapso na saúde.





De acordo
com a companhia, na aeronave que iria para a Índia, foram enviados 40 cilindros
ao Amazonas. Em nota, a Azul informou que o pedido para levar oxigênio a Manaus
foi feito pelo Ministério da Saúde.

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