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Mulher maravilha da pandemia?

Mulher maravilha da pandemia?

08/03/2021 10:34:00 | São Paulo | Fonte: Jornal em Destaque

Ser
multitarefa tem sido tradicionalmente percebida como uma habilidade feminina,
no entanto a atividade está mais relacionada ao acúmulo de funções do que à
competência. Com a pandemia do Covid-19 e as mudanças na rotina muitas mulheres
dobraram a quantidade de tarefas realizadas.



As
mães que trabalhavam fora, foram obrigadas a equilibrar o home office com os
estudos dos filhos, cuidados com a família e administração da casa. Não que
isso não possa ser feito, mas sem organização torna-se um malabarismo perigoso
com gatilhos como ansiedade, estresse e depressão que prejudicam quadros de uma
das enfermidades que mais afetam as mulheres, as doenças reumáticas.



Com
as mulheres representando mais de 60% dos casos de doenças reumatológicas no
Brasil, sendo elas autoimunes como Lúpus, artrite reumatoide, ou degenerativas
como osteoartrite e osteometabólicas como a osteoporose, os estudos sempre
tentam buscar o porquê dessa população feminina ser a mais afetada.



Uma
grande causa para a incidência ser maior nas mulheres são os hormônios
femininos, que passam por alterações bruscas em períodos de gravidez e
menopausa, podendo afetar de maneira específica o sistema imunológico. Tanto
que muitas das doenças reumatológicas surgem após esses períodos de grande
mudança hormonal no organismo. Além disso, o fato de que em muitas culturas
(maioria) as mulheres serem as únicas responsáveis diretas pela função de
multitarefa, pode levar a um estresse emocional, quadros depressivos e de
ansiedade, que podem funcionar como o estopim no sistema imune, levando ao
desenvolvimento de tais doenças. Outro fator decorrente de ser multitarefa é o
cansaço e a dor musculoesquelética causada diretamente pelas “funções
atribuídas à mulher”, o que claramente pode mascarar diagnósticos sérios como
artrite, artrose, fibromialgia e até mesmo levar à perigosa automedicação.



Segundo
a especialista da Cobra Reumatologia, Dra. Camille Figueiredo é preciso estar
muito atenta às dores e aos inchaços nas articulações, principalmente nas mãos,
punhos e pés:



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Uma
coisa é um dolorimento difuso muscular decorrente da sobrecarga de trabalho que
envolve atividade física, como é o caso da atividade voltada à limpeza do lar,
organização do ambiente, cozinhar, lavar etc. Outra coisa é o sono não
reparador, seguido de dor ao levantar, com certa rigidez articular que precisa
de ‘algum tempo’ para que os movimentos habituais sejam realizados, além de dor
localizada em articulações específicas como punhos e nas pequenas articulações
das mãos, acompanhadas ou não de inchaço (edema articular); isso tudo nunca
poderá ser encarado como ‘dolorimento normal de muita atividade’, tem algo
acontecendo no organismo, que não é compatível com somente sobrecarga de
atividade. E é nesse momento que a busca por atendimento especializado deve ser
feita para evitar coisas como: automedicação, que pode mascarar algumas doenças
reumatológicas por um tempo, atrasando o diagnóstico e consequentemente o
tratamento dessas doenças, além de em grande parte das vezes levar à destruição
óssea e articular, com prejuízo da função, por vezes irreversível, dependendo do
atraso no início do tratamento reumatológico
”, afirma.



 



Dores
fortes que se estendem por mais de dois dias não são normais e não devem ser
tratadas com analgésicos musculares. É preciso ficar atento se houve alguma
lesão ou esforço físico excessivo que justifique a dor, caso contrário um
reumatologista deve ser consultado.



Também
para as pacientes que já possuem diagnóstico vale lembrar que a rotina e a
dieta devem ser regradas para que o quadro reumático não piore. Abaixo a
doutora Camille Figueiredo lista algumas dicas de como otimizar a rotina para
ter uma vida saudável.



Alimentação
saudável: evite ao máximo incluir em sua dieta alimentos industrializados e
condimentados. Controle a ingestão de sódio e carboidrato. Dê prioridade a
frutas, vegetais e carne e claro, cálcio (leite, queijos e iogurtes, além de
folhas verdes escuras).



Adapte
o ambiente: busque adaptar o ambiente às suas necessidades, use utensílios que
facilitem atividades como abrir latas e potes, por exemplo.




uma folga aos seus pés: utilize calçados confortáveis, com solados rígidos para
melhor estabilidade. Evitem saltos, para pacientes que apresentam deformidades
e calosidades nos pés decorrentes da artrite reumatoide, recomenda-se sapatos
especiais, de acordo com cada problema. Um calçado adequado garante equilíbrio
articular e evita quedas (isso inclui retirar tapetes que deslizam e levam a
quedas com fraturas, para quem tem fragilidade óssea).



Inclua
exercícios físicos prazerosos em suas atividades. O planejamento do programa de
atividade física elaborado por um profissional ajudará a trazer ganho de força
muscular, flexibilidade e equilíbrio. Além disso, a atividade física ajuda a
controlar a doença, com melhora da dor, sono e humor.



Além
de exercícios físicos, exercícios que fazem bem à mente também são mais que
necessários: inclua algum hobby como leitura, bons filmes, jogos, bordados,
pintura, desenhos etc., algo que seja prazeroso ao seu dia-a-dia.



Se
organize e distribua as responsabilidades: ser multitarefas não é obrigação de
ninguém. As funções podem ser divididas por todos que moram na casa e, se
organizadas podem se tornar até bem-vindas na rotina.

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