Cotada
para assumir o Ministério da Saúde no lugar do general Eduardo
Pazuello, a cardiologista Ludhmila Hajjar disse, em entrevista publicada há uma
semana, que o Brasil está fazendo tudo errado na pandemia. Ela também é
defensora do isolamento social como forma de evitar o alastramento do vírus e
condenou o uso de cloroquina no tratamento de Covid-19, em posicionamentos
opostos aos do presidente Jair Bolsonaro. Ela disse ainda não haver, nas três
esferas de poder, nenhum político que fale a língua do povo.
Ludhmila
foi sondada por interlocutores de Bolsonaro, que avalia dar a ela o
comando da pasta, segundo publicou O Globo. Ambos devem se encontrar até
segunda-feira (15). Após a sondagem, ela apagou a conta oficial que mantinha no
Twitter.

Não
era nunca para estarmos em crescimento do número de doentes mortos sendo que o
mundo todo demonstra uma queda. O Brasil está fazendo tudo errado e está
pagando um preço por isso. Hoje temos um número muito pequeno da população
vacinada. Isso tudo tem um resultado hoje catastrófico, que estamos,
infelizmente, assistindo no nosso dia a dia. O Brasil já deveria estar hoje com
cinco ou seis vacinas disponíveis", disse Ludhmila em entrevista ao
Jornal Opção, de Goiás.
Sem
citar Bolsonaro, ela também criticou, de forma veemente, o uso de cloroquina,
que não tem comprovação científica para tratamento de Covid-19.

Sabemos
que cloroquina não funciona há muitos meses, que azitromicina não funciona há
muitos meses, que ivermectina não funciona há muitos meses. Mas ainda tem esses
kits por aí. Tem conselhos que defendem. Tem conselhos que não negam. É uma conjunção
de fatores – o não conhecimento e a não adoção de práticas baseadas em
evidências científicas - que só coloca a vida das pessoas em risco", afirmou.
A
médica também criticou o afrouxamento, pelo poder público, de medidas
restritivas que poderiam ter evitado o alastramento do vírus.

Foi
uma ineficiência na adoção de medidas que poderiam ter minimizado muito a
prevalência da doença. Ao mesmo tempo, não tivemos uma liderança nas três
esferas que pudesse falar a língua do povo, que pudesse organizar a resposta
das pessoas e da população. Não tivemos medidas sociais para tentar adequar
todas as medidas protetivas que são orientadas".
(A médica cardiologista Ludhmila Hajjar Foto
manchete: Internet)