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As novas regras do WhatsApp ferem sua privacidade? | Riobrasil Noticias

As novas regras do WhatsApp ferem sua privacidade?

As novas regras do WhatsApp ferem sua privacidade?

06/05/2021 22:03:00 | São Paulo | Fonte: Jornal em Destaque

Por Francisco Gomes Júnior, advogado
especialista em direito digital





Está sendo
anunciado para o dia 15 de maio o prazo final para aceitarmos as mudanças nos
termos de serviço e na política de privacidade do WhatsApp. Essas mudanças, a
princípio, afetam a privacidade dos usuários, ao permitir que os dados pessoais
coletados no uso do aplicativo possam ser compartilhados com outras mídias
sociais do mesmo grupo econômico, como o Facebook.





De acordo
com os novos termos de uso, quem não concordar com esse compartilhamento terá
sua conta no aplicativo bloqueada e para reativá-la deverá concordar com os
termos propostos.


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major-latin;color:#7030A0">#DicaEmDestaque: Sempre lembre de usar a máscara de
proteção, andar com álcool gel, respeitar o distanciamento social e sair de
casa somente se necessário! Caso pertença a um dos grupos de risco ou conviva
com alguém que precise de cuidados especiais, evite passeios presenciais. A situação
ainda é bem séria! Cuide-se bem para sairmos juntos desta pandemia o mais
rápido possível. Combinado?





A proposta
do WhatsApp afronta diretamente a LGPD (a Lei Geral de Proteção dos Dados), a
lei que regulamenta como devem ser colhidos, armazenados, usados e excluídos os
dados pessoais no país. De acordo com a legislação, dados pessoais somente
podem ser utilizados mediante uma das hipóteses nela previstas. O uso de dados
pessoais obedece ao princípio da autodeterminação informativa, ou seja, cabe a
cada indivíduo gerir quando e por quem seus dados podem ser utilizados.





O
consentimento do usuário, portanto, é fundamental para que seus dados possam
ser compartilhados. O WhatsApp, aparentemente, não quer propiciar a escolha ao
titular dos dados pessoais. Já existem questionamentos administrativos e de
órgãos de defesa do consumidor sobre estes novos termos, mas até o momento não
há indicativo de que o WhatsApp aceite negociar alterações para que se obedeça
a LGPD e o direito de escolha do usuário.





Já no caso
do Facebook, temos uma questão mais antiga. Como se sabe o Facebook coleta
dados do usuário (até mesmo quando não se está usando o aplicativo). E em
algumas situações comercializou esses dados para a utilização de outras
empresas. O caso mais famoso foi o “Cambridge Analytica”, empresa que utilizou
os dados obtidos no Facebook para estratégias eleitorais e interferências nas
eleições americanas e no Brexit (a votação que retirou a Grã-Bretanha da
Comunidade Europeia).





O Facebook
vem ao longo dos últimos anos sofrendo inúmeras acusações de utilização
indevida dos dados e busca sempre celebrar acordos, pagando indenizações e
multas para livrar-se de acusações mais sérias. Como a prática se repete,
provavelmente as sanções não se mostram suficientes para exigir uma mudança de
postura.





Dizendo
combater essa prática abusiva de captura de dados, a Apple lançou a atualização
de software (iOS 14.5) com a ferramenta App Tracking Transparency (ATT). Assim,
os usuários de iOS (iphones, ipads) receberão uma notificação em forma de
pop-up na tela sempre que acessarem aplicativos que coletam e compartilham
dados com terceiros. Com isso, o usuário saberá quais aplicativos querem
coletar seus dados e autorizará ou não essa operação. É uma prática aderente à
LGPD.





A reação do
Facebook a esta atualização da Apple foi forte. Alegando que esta restrição irá
afetar seu modelo de negócio, o Facebook ameaça iniciar um processo judicial
contra a Apple. Segundo o Facebook, esta limitação irá encarecer o custo da
internet para o usuário final, já que muitos serviços online são gratuitos pois
são financiados pela exibição de publicidade, realizada com a coleta dos dados.





A LGPD, como
se sabe, trouxe uma série de regras para o tratamento de dados pelas empresas
públicas e privadas, com o objetivo de dar garantias ao usuário de que seu
direito a privacidade será respeitado. As empresas estão buscando implementar
alterações sistêmicas e legais para aderirem à lei.





A
credibilidade do sistema de proteção de dados será testada pelas próprias
sanções que poderão ser impostas pela ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de
Dados). Como se tem visto, muitos vazamentos de dados têm acontecido de forma
massiva pela invasão de sistemas de ministérios e empresas públicas. Espera-se
que as sanções sejam aplicadas de forma isonômica para todas as empresas, sem
privilégios a empresas públicas ou do Vale do Silício.

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