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A IMPORTÂNCIA DA DISPONIBILIDADE AO OUVIR | Riobrasil Noticias

A IMPORTÂNCIA DA DISPONIBILIDADE AO OUVIR

A IMPORTÂNCIA DA DISPONIBILIDADE AO OUVIR

12/05/2021 11:55:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque

Existe um ditado popular que reproduz a ideia de que
temos dois ouvidos e uma boca porque deveríamos falar menos e escutar mais.
Simbolicamente isso faz muito sentido. Num momento tecnológico onde tantas falas
emergem com seus diferentes pontos de vista e suas certezas engessadas e
absolutas, saber ouvir é um enorme diferencial para uma comunicação eficaz. A
escuta genuína proporciona fortalecimento dos laços afetivos, ao aumentar a
possibilidade de conexão com a realidade do outro.





Ouvir com atenção requer alguma disciplina. É preciso
que evitemos distrações e desatenções que podem surgir das mais diversas
fontes. Além disto, se torna essencial não interromper o processo de fala nem
ser seletivo diante dele. Também se faz imperativo buscar, sempre que possível,
suspender julgamentos predefinidos e se posicionar de forma aberta e receptiva
aos assuntos abordados e aos distintos pontos de vista que possam surgir. Por
fim, é imprescindível manter um interesse verdadeiro no que nos é contado.





Uma escuta ativa, inclusive, resulta em foco não apenas
no que está sendo dito, como no que não está. Isso que fica em suspenso, se
escondendo nas entrelinhas, pode nos fornecer dicas valiosas sobre o que é
possível ou não ser dividido naquele momento. Soma-se a isto, a linguagem não
verbal, onde gestos, tons de voz e expressões faciais podem nos clarificar
ainda mais detalhes da história que está sendo contada. Portanto, escutar se
traduz em ouvir para muito além das palavras.





A capacidade de se colocar no lugar do outro a partir do
que está sendo compartilhado reforça todo o processo de busca por uma maior captação
dos pensamentos e emoções das pessoas. E os benefícios desse tipo de
posicionamento são inúmeros: redução dos ruídos do diálogo ocasionados por
falhas na mensagem, ampliação do entendimento dos assuntos mais relevantes
diante do aumento da clareza, acréscimo da sensação de segurança e confiança,
fortalecimento de vínculos e aumento significativo de empatia.





Contudo, para escutar o próximo, precisamos nos
silenciar. Emudecer - nossas verdades cristalizadas, nossos preconceitos,
nossos vícios, nossos únicos modos - para que consigamos aceitar e acolher com
a disponibilidade necessária o que vem do próximo. Se não nos despirmos de
nossas crenças não será possível abraçar tudo aquilo que o outro traz de acordo
com sua própria história, com suas vivências e atravessamentos e que podem ser
tão distantes de nossa realidade particular.





Em tempos de aceleração da vida de maneira imposta e
continuada, fazer pausas para ouvir – os outros e a si – é um presente. Acolher
o que nos trazem de mais íntimo e particular é reafirmar a importância de cada
um. Em meio a bocas ávidas por articular indefinidamente os mais diversos
assuntos, escutar segue sendo um gesto corajoso e sensível, que sustenta o zelo
e o alerta às particularidades. Escutar é assim, sutilmente, a possibilidade de
devolver a voz.

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