Existe uma estratégia que o Presidente Bolsonaro parece utilizar e achar que dá certo – pelo menos entre os seus. Ele pontua situações e os transforma em prioridades, chamando a atenção de todos à sua volta, no afã de fazer com que esqueçam do que realmente importa. “Cortinas de fumaça” sempre buscam esconder algo maior, importante ou grave. Isto costuma acontecer quando existe alguma acusação contra sua família ou Governo ou na tentativa de transferir responsabilidade, como no caso da pandemia. Desta vez não é diferente, mas com contornos ainda mais sérios.
Bolsonaro não resolve os problemas do país, nenhum deles; a não ser que o fim do horário de verão fosse um, mas como não é, Bolsonaro ocupa suas forças e seu Governo com algo que chama atenção de sua claque: o voto impresso. Mas ele não faz isto preocupado com algum problema que poderia estar acontecendo, porque não está. O voto impresso é sim auditável – como o é o voto eletrônico – e durante as últimas eleições Bolsonaro foi eleito via urna eletrônica e mesmo assim diz haver fraude. No último dia 29 ele fez uma live, previamente anunciada como aquela que revelaria, de uma vez por todas, a fraude eleitoral que ele tanto denunciava. Chegou o dia, o horário e Bolsonaro se utilizando de vídeos, já refutados, da internet, se comportou como aquela “tia do zap” que todo mundo tem em algum lugar, que envia vídeos sem credibilidade alguma e que ninguém acredita. Por fim, afirmou não ter provas. Mas, o que Bolsonaro quer com isto tudo? Ele simplesmente não quer sair do poder e sabe que seu fim está próximo, ou via impeachment ou em uma derrota nas urnas, democraticamente.
Seu Governo é mais do que uma tragédia anunciada. Cercado, e por escolha dele, de pessoas incompetentes e à frente de um Projeto que não funciona para quase ninguém, o Presidente acumula derrotas e a necessidade de alugar o Centrão, para se safar, de alguma maneira, de um impedimento. E mesmo assim, não tem nada garantido, porque, na medida em que se afunda nessa aliança, perde apoio e sem as garantias que poderá sustentar o acordo.
Bolsonaro parece tentar criar um movimento e um sentimento de instabilidade democrática para que, quando sua derrota venha, tenha apoio o suficiente para não sair do poder, golpeando a democracia. Se for isto, o tiro parece estar saindo muito fora do controle. Sem apoio do povo, que enquanto vê o Presidente discutindo uma eleição que acontecerá no fim do ano que vem, paga R$ 7 na Gasolina e R$ 100 no Gás de Cozinha.
Não duvido que Bolsonaro será derrotado na Câmara, tendo sua proposta negada e com voto do próprio Centrão, que ele compra a peso de ouro. E até nesta derrota ele tentará ganhar algo, capitalizando algo com isto. Mas será que no fim dará certo? Não creio. Por mais esculhambada que nossa democracia esteja, um golpe nos dias atuais e sem apoio interno e externo não duraria uma semana. Bolsonaro caminha para ter a história o condenando como o pior Presidente desta república e o único sucesso que deve alcançar é o projeto de ridicularizar o Brasil, matar sua gente de fome na fila por ossos, enquanto o Governo discute o que não existe.