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ONDE NÃO POSSA SER VOCÊ, PREFIRA NÃO ESTAR

ONDE NÃO POSSA SER VOCÊ, PREFIRA NÃO ESTAR

09/08/2021 14:53:00 | Rio de Janeiro | Fonte: Jornal em Destaque

Assumimos dezenas de papéis ao longo do dia: somos pais, amigos, filhos, profissionais, namorados, estudantes – dentre tantas outras funções. Diante das inúmeras atividades presentes em nosso cotidiano, nos ajustamos para mais adequadamente nos encaixarmos no perfil exigido pelo posto indicado. Flexibilizamo-nos.


No entanto, há um limite para essa maleabilidade. Por maior que seja nossa plasticidade, ela precisa estar contida num contexto em que ainda nos reconheçamos. De certo, nossa postura diante de diferentes cenários ou em meio a pessoas distintas é muito variada. Ainda assim, sempre há algo de nós que permeia todas essas situações.


Quando isso não acontece, quando nos afastamos muito daquilo que gostaríamos de ser, para nos enquadrarmos em determinado espaço, tendemos a sentir um enorme vazio. Geralmente isso ocorre devido à ausência de sentido que emerge da divisão entre quem se é e quem os outros gostariam que nós fôssemos.


Não é raro que nos demandem uma atitude específica ou um comportamento determinado caso decidamos participar de um grupo – mas isso não deve nos impor um afastamento daquilo em que genuinamente acreditamos. Pertencer a uma comunidade não implica necessariamente ausência de singularidades e supressão de características individuais.


Contudo, é frequente que isso ocorra. O coletivo muitas vezes deleta o que temos de mais subjetivo. Ele eleva o bem comum em detrimento das diferenças. Abafa peculiaridades que possam, de alguma forma, ameaçar a prosperidade de sua existência. Na multidão, as diferentes vozes aparecem uníssonas e propositalmente despersonalizadas.


E assim, há algo que se perde na busca por pertencimento. E se abrimos mão por vontade própria, não há nada de errado. Porém, se causar sofrimento pelo impedimento da expressão de desejos individuais, talvez tenha que ter sua coerência repensada. Não há lógica em permanecer em um local onde não se possa ter liberdade pra revelar o que se decida expressar.


Buscar, a cada vez, vincular-se sem que esteja inibida sua expressão espontânea ou que seja exigido um novo contorno para sua originalidade se faz imperativo. A aceitação de tudo o que nos compõe - erro e acerto, luz e sombra, positivo e negativo - reflete no acolhimento integral de si. E, caso não seja assim, talvez seja melhor não permanecer onde não cabemos.


Abraçar-se por completo também significa fazer frente a quem acredita que é necessária a mudança de diversos aspectos – físicos ou emocionais – para que se seja incluído em determinado grupo. Estabelecer a escolha por si a despeito dos desígnios externos onde suas medidas não se encaixam. E, portanto, constituir uma maneira respeitosa e acolhedora de aceitar quem se é.

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