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Funarte realiza concerto de abertura das comemorações pelos 200 anos de Independência do Brasil | Riobrasil Noticias

Funarte realiza concerto de abertura das comemorações pelos 200 anos de Independência do Brasil

Funarte realiza concerto de abertura das comemorações pelos 200 anos de Independência do Brasil

21/09/2021 11:54:00 | Brasília | Fonte: Jornal em Destaque

A Fundação Nacional de Artes – Funarte, por meio do
programa Arte de Toda Gente, em parceria com a Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), vai dar início às suas ações pelos 200 anos de Independência do
Brasil com uma apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional
Claudio Santoro (OSTNCS), sob regência de Claudio Cohen e com participação
especial do tenor Saulo Laucas. Com formação em canto lírico, bacharel pela
Escola Nacional de Música da UFRJ, Laucas é autista e deficiente visual desde o
nascimento e segue carreira com apresentações em diversas cidades do País. A
cerimônia será realizada no dia 21 de setembro, às 20h, na Concha Acústica do
Distrito Federal, em Brasília. No repertório, estarão obras clássicas
relacionadas ao momento histórico.



 



A Concha Acústica do Distrito Federal, com capacidade
para cinco mil pessoas, estará aberta para receber até 1.200 pessoas no
espetáculo, em respeito às medidas de saúde pública. O espaço foi reaberto em
agosto deste ano, após reforma. Os ingressos podem ser adquiridos
gratuitamente, a partir do dia 16 de setembro, quinta-feira, pela
plataforma 
www.oquevemporai.com. O
concerto também poderá ser assistido pelo canal do Arte de Toda Gente no
YouTube.



 



O repertório do concerto abrange obras de compositores
brasileiros e estrangeiros que, de alguma forma, têm relação com a
Independência e com D. Pedro I ou são contemporâneos deles. O programa contará
com criações dos brasileiros José Joaquim de Souza Negrão, da Bahia; José
Maurício Nunes Garcia, do Rio de Janeiro; João de Deus Castro Lobo, de Minas
Gerais; e Antônio Carlos Gomes, de São Paulo. Já as composições internacionais
são de Marcos Portugal, de Portugal; Gioachino Rossini, da Itália, e César
Franck, da Bélgica.



 



A cerimônia marca o início das atrações da Funarte pelo
bicentenário da Independência. O evento é realizado pela Fundação, pelo
Ministério do Turismo e pela Secretaria Especial da Cultura, com apoio da
Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. Ele é
fruto de ações dos três projetos que integram o Arte de Toda Gente (ATG),
programa da Fundação com a UFRJ: Bossa Criativa, Um Novo Olhar (UNO) e Sistema
Nacional de Orquestras Sociais (Sinos). Um dos objetivos do Bossa Criativa é
promover ações de artes integradas em locais reconhecidos pela Unesco como
patrimônio da humanidade — entre eles, Brasília. Por sua vez, o tenor Saulo
Laucas está entre os artistas participantes do UNO, enquanto a produção do
concerto faz parte das ações do Sinos. O ATG tem curadoria da Escola de Música
da UFRJ.



 



Convidados especiais



 



A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio
Santoro (OSTNCS) foi fundada em março de 1979, pelo maestro e compositor
Claudio Santoro, e é considerada uma das principais instituições do gênero no
Brasil. Em sua trajetória, realizou milhares de concertos, temporadas de ópera
e balé, acompanhou importantes artistas brasileiros e estrangeiros e realizou
gravações e turnês nacionais e internacionais. Gravou diversos discos com
repertório de música brasileira, com destaque especial para os títulos Sinfonias
dos 500 anos e Clássicos do Samba.



 



Dirigida atualmente pelo maestro titular e diretor
artístico Claudio Cohen, a OSTNCS também tem, em sua linha de atuação,
atividades como concertos sociais e educacionais; festivais de ópera;
seminários internacionais de dança; a série Concertos nos Parques; entre
outras, com presença em diversos segmentos da sociedade.



 



Cidadão Honorário de Brasília, Claudio Cohen tem
participação ativa no cenário musical do país e do exterior, como maestro e
como artista convidado de festivais de música e orquestras. É membro fundador
da OSTNCS e membro da Academia de Letras e Música do Brasil (ALMUB). É detentor
da Ordem do Mérito de Brasília, da Ordem do Mérito Cultural do Distrito Federal
e da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, além de outras conquistas
recebidas ao longo da carreira.



 



O tenor Saulo Laucas nasceu no Rio de Janeiro,
em 4 de maio de 1984. Deficiente visual desde o nascimento, aos três anos de
idade foi diagnosticado autista. Na infância, descobriu o talento para a música
e, com apoio da família e de professores, começou a estudar piano. Depois,
investiu no canto, aprimorando-se a cada dia. Hoje, bacharel em canto pela
Escola de Música da UFRJ, segue carreira como tenor, com apresentações em
diversas cidades brasileiras e participações na TV. Gravou seu primeiro
CD Belle Canzoni Italiane em abril de 2020.



 



Repertório do concerto do dia 21 de
setembro, às 20h, na Concha Acústica do DF



 



A Estrella do Brasil (1816), de José Joaquim de
Souza Negrão (BA)



Abertura em Ré, de José Maurício Nunes Garcia (RJ,
1767-1830)



Abertura II Ducadi Foix (1805), de Marcos Portugal
(Portugal/Brasil, 1762-1830)



Abertura em Ré, de João de Deus Castro Lobo (MG,
1794-1832)



Sonata para cordas, de Antônio Carlos Gomes (SP,
1836-1896)



La Scala di Seta (1812), de Gioachino Rossini
(Itália, 1792-1868)



Panis Angelicus, de César Franck (Bélgica, 1822-1890),
interpretada por Saulo Laucas



 



Sobre os compositores e suas obras



 



José Joaquim de Souza Negrão é um compositor baiano
que viveu entre o final do século XVIII e as primeiras três décadas do século
XIX. Poucos dados sobre sua vida e atuação chegaram aos nossos dias. Uma das
referências é uma carta enviada, em 1818, por D. João VI ao então Governador e
Capitão General da Bahia, criando na cidade de Salvador uma cadeira pública de
música, para a qual o compositor foi nomeado, ocupando o posto até a sua morte,
em 1832. De Souza Negrão, sobreviveram duas cantatas, O Último Cântico de
David (1817) e A Estrella do Brazil, dedicada “ao Sereníssimo
Príncipe da Beira, para o dia 12 de outubro de 1816”, ou seja, dedicada ao
Príncipe D. Pedro I. A abertura da cantata foi localizada pelo maestro Ernani
Aguiar, na Biblioteca da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ). A música de Souza Negrão é de estilo operístico italiano, condizente
com o gosto musical imperante na Corte brasileira. A partitura foi editorada
pelo Sistema Nacional de Orquestras Sociais, projeto da Funarte em parceria com
a UFRJ, e agora está disponível para todas as orquestras brasileiras.



 



José Maurício Nunes Garcia (1767-1830) é
reconhecido como o mais importante compositor não europeu de seu tempo. Mestre
de Capela da Sé do Rio de Janeiro, foi nomeado para o mesmo posto na Capela
Real por D. João VI na sua chegada ao Rio de Janeiro, em 1808. Sua obra é principalmente
sacra e vocal, com destaque para as Matinas do Natal (1799); a Missa
de N. Sra. da Conceição (1810); o Requiem (1816), composto para
as Exéquias de D. Maria I; e a Missa de Santa Cecília (1826), sua
última obra. Por ocasião da Independência, D. Pedro I manteve José Maurício
como mestre de sua Capela Imperial. A Abertura em Ré é uma das poucas
obras instrumentais de José Maurício. Composta em data ignorada, o único
manuscrito sobrevivente se encontra no Centro de Ciências, Letras e Artes, em
Campinas (SP), originário do acervo de Manoel José Gomes, pai do compositor
Carlos Gomes.



 



Marcos Portugal (1762-1830) nasceu em Portugal e
estudou na Itália. Tornou-se célebre em toda a Europa como autor de óperas, com
títulos encenados em diversos países. Convocado por D. João VI, chegou ao Rio
de Janeiro em 1811, onde se tornou professor de música da família real e
diretor dos teatros da Corte. Foi o professor de música do Príncipe D. Pedro I,
auxiliando o futuro imperador em suas primeiras composições. Por ocasião do
retorno de D. João VI para Portugal, optou por permanecer no Brasil,
tornando-se cidadão brasileiro após a Independência. A abertura II Duca de
Foix, composta em 1805 para a ópera de mesmo nome, é uma de suas obras
orquestrais mais executadas. Nela se revela o estilo da ópera buffa italiana,
que predominava entre os compositores luso-brasileiros da época, dentre os
quais, Marcos Portugal é um dos mais importantes, com papel significativo na
história da música do Brasil e de Portugal.



                                                                                                                                     



João de Deus Castro Lobo (1794-1832) é um dos mais
destacados compositores mineiros atuantes no Primeiro Reinado. Contemporâneo de
Souza Negrão, José Maurício e Marcos Portugal, nasceu em Vila Rica, mas atuou
profissionalmente sobretudo na cidade de Mariana, onde estudou no seminário
local e se ordenou padre. Na cidade, foi organista da Ordem Terceira de São
Francisco da Penitência e mestre de capela da catedral. Não deixou uma obra
numerosa, pois faleceu precocemente, aos 38 anos. Dentre as partituras que
chegaram aos nossos dias, se destacam as da Missa e Credo a 8 vozes, Matinas
do Espírito Santo e as Matinas de Natal. Sua Abertura em Ré se
junta às obras de Souza Negrão e Nunes Garcia como exemplos da música
instrumental composta no Brasil no período da Independência. Há registros da
atuação de Castro Lobo como regente na Casa da Ópera de Vila Rica. O contato
com o repertório lírico pode ter motivado a composição da Abertura em Ré, na
qual se destaca um grande solo de violoncelo na introdução.



 



Sendo o repertório italiano predominante nas encenações
operísticas no Brasil no período da Independência, são encontrados nos arquivos
brasileiros vários exemplares de óperas de autores italianos em cópias
manuscritas. O compositor italiano de maior repercussão internacional,
inclusive no Brasil, no período da Independência, foi Gioachino Rossini (1792-1868),
autor do célebre O Barbeiro de Sevilha, que estreou no Brasil em 21 de
julho de 1821, no Teatro São João do Rio de Janeiro. Sua abertura La Scala
di Seta foi composta em 1812.



 



No mesmo ano em que D. Pedro I declarava a Independência
do Brasil, nascia César Franck (1822-1890), compositor belga com
atuação em Paris. Panis Angelicus é uma de suas melodias mais
conhecidas, interpretadas por cantores em todo mundo, não só em cerimônias
litúrgicas, mas também em concertos.



 



Enquanto no Brasil o processo da Independência se
firmava, o compositor Antônio Carlos Gomes (1836-1896) nascia em
Campinas (SP). Após sua transferência para o Rio de Janeiro, ele estudou no
Conservatório de Música, atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio
de Janeiro. Carlos Gomes viria a fazer carreira internacional com o sucesso de
sua ópera Il Guarany, no Teatro Scala de Milão, em 1870. Um dos mais
importantes representantes do romantismo musical no Brasil, Carlos Gomes compôs
sua Sonata para Cordas, a pedido do seu irmão Sant’Ana Gomes, em 1894,
sendo uma de suas poucas obras para orquestra extraídas de uma de suas óperas.



 



Programa Arte de Toda Gente



 



O programa Arte de Toda Gente foi criado por meio da
parceria entre a Fundação Nacional de Artes – Funarte e a Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), com curadoria da Escola de Música da instituição. Ele
é composto pelos projetos: Bossa Criativa, Um Novo Olhar (UNO) e Sistema
Nacional de Orquestras Sociais (Sinos).



 



Bossa Criativa



 



No Bossa Criativa, arte, cultura e inclusão têm como
palco a internet e patrimônios da humanidade. São mais de 350 artistas e
educadores, de várias regiões do país, em apresentações, lives, mostras e
oficinas de capacitação nas áreas de música, dança, teatro, circo, artes
visuais, empreendedorismo e gestão cultural. Mais de 200 horas de conteúdo já
estão no ar, com foco na diversidade e democratização da cultura. Quando as
condições sanitárias permitirem, o projeto passará a oferecer, também,
atividades presenciais, em nove cidades em que estão localizados pontos do
patrimônio cultural brasileiro: Ouro Preto e Belo Horizonte (MG); Brasília
(DF); Rio de Janeiro e Paraty (RJ); São Cristóvão (SE); São Luís (MA), Olinda
(PE) e São Miguel das Missões (RS).



 



Um Novo Olhar (UNO)



 



O UNO atua em duas frentes estruturantes: reúne
capacitações em arte-educação e acessibilidade e em regência de canto coral
infantil. O intuito é promover a ação pedagógica em arte como forma de inclusão
e capacitação para professores que atuam com crianças, jovens e adultos com
deficiência. O projeto reúne mais de 70 artistas e educadores e mais de 200
horas de performances, apresentações, capacitações e lives, além de
publicações, palestras e congressos com a participação de especialistas de
diversos países. Os cursos de arte/educação + acessibilidade + inclusão contam
com alunos de todo o Brasil.



 



Sistema Nacional de Orquestras Sociais
(Sinos)



 



O Sinos é sustentado por uma rede de dezenas de
profissionais de música, que atuam em cursos, oficinas, concertos e festivais.
O objetivo é capacitar regentes, instrumentistas, compositores e educadores,
apoiando projetos sociais de música, e contribuir para o desenvolvimento das
orquestras-escola e bandas de música em todo o Brasil. Inúmeras parcerias estão
em desenvolvimento e, desde o seu lançamento, já foram veiculadas, de forma
on-line, mais de 500 vídeo-oficinas, com mais de 200 horas de conteúdo pedagógico,
além de concertos e publicações (partituras para orquestras jovens, bandas e a
revista Sinos).



 



Como forma de unificar todos esses projetos em um só
evento, foi lançado, no mês de julho, o Festival Arte de Toda Gente, que
será apresentado até o final de setembro de 2021. A programação reúne mais de
100 professores e mais de 400 artistas das mais diversas vertentes e origens
geográficas. As ações ocorrem por meio de oficinas, mostras, encontros e
apresentações, ao vivo e gravadas, transmitidas gratuitamente pela internet.



 



 



Abertura das ações da Funarte pelos 200 anos
de Independência do Brasil



 



Concerto com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional
Claudio Santoro


Participação do tenor Saulo Laucas



 



Dia 21 de setembro, terça-feira, às 20h



 



Concha Acústica do Distrito Federal



Endereço: SCEN - Brasília, DF, 70297-400


(Localizada às margens do Lago Paranoá, no Setor de Clubes Esportivos Norte, ao
lado do Museu de Arte de Brasília – MAB)



Evento gratuito



Ingressos disponíveis a partir de 16 de setembro em: https://www.oquevemporai.com/




Transmitido pelo canal Arte de Toda Gente no YouTube (https://www.youtube.com/artedetodagente)



 



Realização


Fundação Nacional de Artes – Funarte | Secretaria Especial da Cultura |
Ministério do Turismo | Governo Federal | Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ)



 



Curadoria: Escola
de Música da UFRJ



Acompanhe as
ações dos projetos Bossa Criativa, Sinos e UNO nos sites próprios, no
canal 
Arte
de Toda Gente
 no YouTube e no Portal Funarte.



 



Outras ações
e editais da Funarte: 
www.funarte.gov.br   

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