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Ditadura defendeu vacinação contra epidemia criando o Programa Nacional de Imunização

Ditadura defendeu vacinação contra epidemia criando o Programa Nacional de Imunização

25/12/2021 15:45:00 | Miguel Pereira | Fonte: Jornal em Destaque

Criado em
1973 e instituído como lei em 1975, o PNI (Programa Nacional de Imunizações) é
a política pública mais importante para controle e erradicação de doenças
infecciosas no Brasil nas últimas quatro décadas. Criado na época da ditadura
militar, o PNI nasceu impulsionado por outra epidemia de doença infecciosa no
país - no caso, a meningite, que o governo se esforçou para esconder enquanto pôde
(leia mais abaixo). Porém, ao contrário do discurso antivacina do presidente
Jair Bolsonaro, os governantes à época apostaram e investiram na imunização de
crianças e adultos para conter não só a meningite, como também expandiram para
outras doenças infecciosas no país.





Este conteúdo, na íntegra,
foi publicado no UOL Saúde e escrito por Carlos Madeiro – para UOL em Maceió.
Vale a leitura!





Hoje, o PNI
é um modelo mundial de vacinação e distribui 300 milhões de doses de
imunizantes todos os anos (sem contar covid-19), que são aplicadas em mais de
38 mil salas de vacinação espalhadas pelo Brasil e há vacinas públicas dadas de
bebês após o nascimento até idosos (como é o caso da contra a Influenza).
Ex-professor de ciências médicas da Santa Casa de São Paulo, José Cássio de
Moraes participou da criação do projeto de lei do PNI e relata que a vacinação -
ao contrário de agora - foi colocada como prioridade pelo presidente Ernesto
Geisel (1974-1979) para acabar com os surtos à época.





Com
a epidemia de meningite, vimos que o Brasil tinha um sistema de vigilância
muito fraco, e notou-se que era preciso ter um sistema mais organizado e de uma
estratégia para vacinar toda a população. Ali se elaborou a criação da lei do
PNI, em 1975, que previa a organização do sistema de com a definição de que as
vacinas quem seria a responsabilidade de cada ente
", lembra.





Na época, o
PNI previa que governo federal e estados realizassem a vacinação. Hoje, essa
missão é dos municípios, segundo a definição feita na criação do SUS (Sistema
Único de Saúde), em 1988. Da censura à resolução ele conta que o foco na
vacinação ocorreu a partir de 1974, quando a meningite começou a ficar pública.
À época, houve um esforço dos militares para esconder a doença da população,
censurando órgãos de imprensa e perseguindo entidades que divulgavam algo do
tema.



"Ali
não era mais possível esconder a epidemia - só poderia se esconder a magnitude,
mas a existência era difícil. Ficou claro então que as vacinas eram importantes
para tentar minimizar o surto
", diz. Foi nesse ano que assumiu o
ministério Paulo de Almeida Machado, considerado por ele uma peça-chave para a
implementação do PNI. À época, diz Moraes, foram compradas 80 milhões de doses
de vacina, a ser aplicada em todas as faixas etárias a partir dos seis meses de
idade. "
Naquela ocasião não havia nenhuma posição contrária do governo.
Ao contrário, houve apoio do presidente e do ministro, que se envolveram na
campanha”
, diz.





“A
organização foi feita pelo Exército, ou seja, todo o governo atuou para a
vacina. À época, caminhões frigoríficos de sorvete eram usados para armazenar
vacinas. Houve um envolvimento popular da vacinação, dado o receio da doença
" – José Cássio de Moraes.

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