Há um ditado
popular, muito veiculado e conhecido, que nos diz que tudo na vida tem um
princípio, um meio e um fim. Penso que nem todos os ditos conhecidos fazem
tanto sentido para mim e confesso que existem inclusive alguns para os quais eu
torço o nariz, mas este, particularmente, me toma o coração de assalto. Aceitar
que algumas situações significativas em nossas vidas, em um determinado momento,
se dissolvem não é algo trivial.
Aqui, não
busco valorar o assunto explorado. Podemos pensar isso para relacionamentos,
para pessoas, para oportunidades, para fases. Podemos pensar nesse ciclo para
quase tudo. Entretanto, tem algo em nós, que espontaneamente, foge do fim. Que
se esconde, que luta, que nega. Que evita olhar para isso porque percebe a dor
e a falta que surgem. Aquela parte que só de imaginar... melhor nem pensar!
Sim... a
vida é feita de escolhas. Desde o instante em que acordamos até o momento em
que vamos dormir, estamos decidindo. E desde as pequenas opções que fazemos
àquelas grandiosas, estamos assim definindo continuamente os novos rumos da
nossa história. A cada oportunidade. É uma liberdade imensa, sem dúvidas, mas
também uma indizível, árdua e contínua responsabilidade.
Algumas
alternativas somos nós quem elegemos, outras tantas o próprio caminhar vai
selecionando por nós. Contudo, a lacuna que brota de cada encerramento é
latente. Ficamos um pouco mais ocos, sentimos um vazio quase palpável. Talvez,
não pela decisão em si, mas pelas inúmeras renúncias que se esvaem quando
optamos por ela. Escolher algo é inegavelmente abrir mão de tantas outras
oportunidades.
No entanto,
se não concluímos nossas séries, parece que algo a mais nos falta. Fica qualquer
coisa em aberto, incompleta, inacabada. E por isto é bastante relevante que
saibamos – ou, ao menos, que tentemos – encerrar algumas situações antes de
seguir adiante. E a dificuldade de manejo dessas circunstâncias, em grande
parte, é diretamente proporcional à quantidade de afeto aplicada nelas. Quanto
mais emoção investida, mais difícil superar essa perda, esse luto.
Não acredito
que caibam conselhos aqui. Muito menos pressa ou agilidade na intenção de
findar esse período. Talvez o indicado seja apenas acolher todos os sentimentos
decorrentes da angústia, entender o próprio tempo de atravessamento da lesão e,
progressivamente, recomeçar a depositar energia em si e em outros objetos ou
situações do mundo. Um passo de cada vez. Gentilmente.
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