A violência física e psicológica da desinformação e contrainformação russas: como funciona e como combatê-la | Riobrasil Noticias

A violência física e psicológica da desinformação e contrainformação russas: como funciona e como combatê-la

A violência física e psicológica da desinformação e contrainformação russas: como funciona e como combatê-la

26/02/2022 11:48:00 | Europa | Fonte: Jornal em Destaque


"O maior desafio político da desinformação é derrotar o inimigo sem ser com armas", diz Víctor Madeira, especialista em relações diplomáticas e contrainformação e subversão russas – e, também, autor do livro "Britannia and the Bear: The Anglo-Russian Intelligence Wars, 1917-1929".


Ele explica que antes da invasão da Ucrânia houve "quatro ou cinco fases: infiltração social, infiltração mediática, criação de dúvida no país inimigo, que é para os governos e as autoridades não terem possibilidade de se preparar para qualquer agressão - como foi o caso desta"


Como é que o governo russo funciona? Quais são as principais táticas de desinformação?

Eles usam muitos métodos, mas a coisa mais importante é que tudo o que o governo russo faz é cuidadosamente coordenado. Uma grande vantagem que eles têm é que o governo e as instituições russas têm uma mensagem comum, um objetivo estratégico comum, que não é novidade em regimes autoritários. Usam publicações em jornais, estações de rádio e sites falsos. Utilizam meios mediáticos que não são verdadeiros e que, geralmente, têm laços estreitos com os serviços de segurança e espionagem russo: SVR - Serviço de Inteligência Estrangeiro, FSB - Serviço Federal de Segurança e o GRU - Departamento Central de Inteligência. Têm um único propósito: difundir informações falsas. Estas informações, dependendo de onde são divulgadas, acontecem em países estrangeiros.

A mensagem que a RT ou a Sputnik divulgam em Portugal, no Brasil, França, na Alemanha ou no Reino Unido são muito diferentes. Na Alemanha, por exemplo, uma dessas mensagens - que temos visto muito nos últimos anos - tem sido a necessidade de se evitar a energia nuclear para deixar a Alemanha mais dependente do gás russo. Por isso, a Alemanha não pode agir de determinada maneira perante uma agressão russa, porque estão 40% a 50% dependentes do gás natural para as suas necessidades.

Esta doutrina tem sido desenvolvida há décadas. Todos estes conceitos existem há décadas e tem sido aperfeiçoado. A informação divulgada é cuidadosamente calibrada dependendo da audiência para que é destinada. Depois, utilizam os ciberataques, infiltração em redes informáticas, infiltração em computadores que tenham dados sensíveis. E uma coisa que não é muito falada é o papel desempenhado pela igreja ortodoxa russa. Porque uma das coisas que temos visto na Ucrânia é a igreja ortodoxa a ser utilizada não só para guardar armamento dos rebeldes, mas também um grande esforço do governo e das autoridades da igreja russa para tentarem influenciar e coagir outras igrejas no mundo ortodoxo e tudo isto por causa das divisões entre a Rússia e a Ucrânia.


Então não podemos acreditar na RT ou na Sputnik?

Completamente não, porque a grande maioria do que divulgam é aprovado pelas autoridades russas e desempenham um papel preponderante na percepção das populações estrangeiras.

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