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ONU aprova resolução contra invasão russa à Ucrânia, com voto do Brasil e abstenção chinesa | Riobrasil Noticias

ONU aprova resolução contra invasão russa à Ucrânia, com voto do Brasil e abstenção chinesa

ONU aprova resolução contra invasão russa à Ucrânia, com voto do Brasil e abstenção chinesa

02/03/2022 19:58:00 | Europa | Fonte: Jornal em Destaque

A Assembleia
Geral da Organização das Nações Unidas aprovou uma resolução que condena a
operação militar da Rússia na Ucrânia e a trata como invasão. O texto teve 141
votos favoráveis, incluindo o Brasil.





O Brasil se
alinhou à ampla maioria e, também, votou a favor. Os países que votaram contra foram Rússia, Belarus, Síria, Coreia
do Norte e Eritreia. A China se absteve.





O texto
"deplora nos mais fortes termos a agressão da Rússia contra
a Ucrânia". Ela é não vinculante, o que significa que, a partir dela,
os países não são obrigados a fazer nada. Sua importância, portanto, é
política: mostra como a maioria dos países vê a invasão promovida por Moscou.





Boa parte da
comunidade internacional acusa a Rússia de Vladimir Putin de violar
o artigo 2 da Carta das Nações Unidas, que pede aos seus membros para não
recorrer a ameaças ou à força para solucionar conflitos.





O texto,
promovido pelos países europeus e Ucrânia, e apoiado por 141 países de
todas as regiões do mundo, sofreu inúmeras alterações nos últimos dias para
chegar a um acordo mínimo aceitável para os mais relutantes.





A resolução
deixou de "condenar", como estava inicialmente previsto, para
"deplorar nos mais fortes termos a agressão da Rússia contra
a Ucrânia".





Praticamente
todos os oradores na Assembleia condenaram a guerra, a insegurança e o risco de
escalada do conflito armado em um mundo que começava a se recuperar dos
estragos devastadores da pandemia de Covid-19, como demonstra a escalada de
preços das matérias-primas, principalmente do gás e petróleo, ou a queda das
bolsas de valores.





Sem
mencionar a iminente crise humanitária que já levou centenas de milhares de
cranianos a deixar o país em busca de um lugar seguro e causou dezenas de
mortes de civis.





A Rússia sustenta
que sua invasão é "legítima defesa". "Não foi a Rússia que
iniciou esta guerra. Essas operações militares foram iniciadas pela Ucrânia contra
os habitantes de Donbass (a região separatista no leste do país) e contra todos
aqueles que não concordavam com ela", defendeu como um mantra o embaixador
russo Vassily Nebenzia, no fórum internacional em Nova York.





O Brasil votou
a favor da resolução, mas alertou que "a resolução é um apelo à paz da
comunidade internacional. Mas a paz exige mais do que o silêncio das armas e a
retirada das tropas. O caminho para a paz requer um trabalho abrangente sobre
as preocupações de segurança das partes".





Segundo a
representação da ONU no Brasil, a "resolução não pode ser
vista como permissiva à aplicação indiscriminada de sanções e ao envio de
armas. Essas iniciativas não conduzem à retomada adequada de um diálogo
diplomático construtivo e correm o risco de aumentar ainda mais as tensões com
consequências imprevisíveis para a região e além".





"Não há
nada a ganhar" com uma nova Guerra Fria, alertou o embaixador da China na ONU,
Zhang Jun, depois de lembrar que a "mentalidade" desta época
"baseada no confronto de blocos deve ser abandonada". Aliada da Rússia,
a China se absteve de votar uma resolução semelhante no Conselho de
Segurança na sexta-feira passada.





Outros
países como Cuba, Venezuela, Nicarágua, Síria e Coreia do Norte denunciaram
no fórum da ONU os "duplos padrões" dos Estados Unidos e
dos europeus, que não hesitaram em invadir países como Iraque, Afeganistão,
Líbia ou Síria.





Aos olhos
dos aliados latino-americanos, esse conflito foi causado pela expansão da Otan para
os antigos países satélites da extinta União Soviética, cuja área de influência
Putin quer restaurar.





A
vice-presidente e chanceler da Colômbia, Marta Lucía Ramírez, além de pedir
à Rússia "responsabilidade" pelas consequências econômicas,
humanitárias e jurídicas de sua ação, lembrou que o mundo "não quer e não
aceitará" um retorno aos impérios.





Um dos
últimos que falaram nesta quarta-feira foram os Estados Unidos que,
como os europeus, adotaram uma enxurrada de sanções destinadas a isolar a Rússia e
sufocar sua economia para que não possa financiar a guerra.





O presidente
americano Joe Biden disse na terça-feira em seu discurso anual sobre o Estado
da União que Putin subestimou a resposta dos países ocidentais com sua decisão
de invadir a Ucrânia.





"Ele
rejeitou as tentativas de diplomacia. Ele pensou que o Ocidente e a Otan não
responderiam. E ele pensou que poderia nos dividir internamente. Putin estava
errado. Estávamos prontos", disse Biden.



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