André
K tem 27 anos de idade e se juntou há dias ao exército ucraniano. Está num
grupo de combate especial com mais dois brasileiros e dois portugueses e
explica o que o fez ir lutar contra os russos.

Estamos
do lado certo, defendendo um país que precisa de ajuda. Não somos omissos como
os governantes do mundo. O dever de ajudar tem de estar em primeiro lugar”, diz o brasileiro
e militar. Ele, que morava em Paris, e os quatro companheiros do seu
“pelotão” não se conheciam, mas foram integrados todos na Legião Estrangeira da
Ucrânia - uma unidade de combate formada por voluntários de vários países do
mundo.
Os
dois portugueses, assim como os colegas brasileiros, foram os primeiros
estrangeiros que se alistaram naquela legião criada por Volodymyr
Zelensky; e, como falavam a mesma língua e tinham todos um perfil militar,
foram selecionados para formarem um grupo de elite.

Somos
da Legião, mas estamos num grupo de forças especiais”, conta André K,
explicando que as opções têm que ver com a capacidade de combate de cada
voluntário. Tanto ele como os seus compatriotas e os dois portugueses têm
“experiência militar”.
Estão
em combate, sob o comando do exército ucraniano. E as ordens da hierarquia são
claras: não podem dar qualquer detalhe sobre a operação nem a
localização. Podem falar com as famílias, mas sem dar pormenores. Estão em
missão de combate contra os russos e os próximos dias são decisivos.
Nas
redes sociais, alguns destes voluntários têm publicado fotos, em particular os
brasileiros. Surgem de farda militar, armas e lenço no rosto. Os portugueses
são mais reservados.

Aqui
comigo só estão dois portugueses, mas no pelotão normal estão mais”, conta André K,
explicando que quando ouviu o apelo de Volodymyr Zelensky, pedindo que os
estrangeiros se juntassem ao exército ucraniano não hesitou.

Peguei
na minha mochila, comprei uma passagem de ônibus e vim me juntar ao
exército ucraniano”. Quando
chegou à fronteira, explicou que queria ajudá-los a lutar.

Disse
que eu era voluntário e que queria me juntar ao exército. Como tinha
experiência militar, foram me buscar”. Foi entrevistado, assinou uns
documentos e passou a ser militar desta nova unidade.
Neste
momento já são mais de 40 mil os estrangeiros, militares e ex-militares, que
integram a legião, segundo adiantou o apresentador de rádio canadense Dean, que
está em Kiev. Na sua conta do Twitter, revela que “há tantos canadenses” que os
ucranianos decidiram entregar a eles uma unidade - que já conta com 500
operacionais, estando mais a caminho.
Por
todo o mundo têm surgido notícias de pessoas que se querem alistar. Segundo a
Voz da América, que citou fontes da Embaixada da Ucrânia nos EUA, no dia 6
de março já três mil norte-americanos tinham respondido ao apelo e pedido
para integrar à legião.
Quanto
aos portugueses, há também em vários fronts de operações na Ucrânia.
Voluntários tentam arranjar
dinheiro para a viagem
Quanto
aos portugueses, há também em vários fronts de operações na Ucrânia.

Muitos
estão no pelotão normal, com espanhóis”, acrescenta o militar brasileiro. São
integrados na Legião estrangeira, mas antes têm de passar pela aprovação das
autoridades ucranianas.
Há
uma plataforma criada pelos ucranianos para recrutar voluntários. Entre as
listas de países selecionados está Portugal.
Neste site são fornecidos os contatos que em cada país
devem ser feitos para se dar início ao processo de integração à unidade de
combate.
Em
Portugal, segundo esta plataforma, são facultados os telefones do consulado da
Ucrânia, no Porto, e embaixada da Ucrânia, em Lisboa.
No
entanto, o número de portugueses que já foram ou estão a caminho da Ucrânia não
é divulgado.
À
CNN Portugal, fonte do consulado confirmou que tem recebido vários contatos nos
últimos dias de pessoas que querem ir combater, mas garantiu que a informação
quanto ao número de voluntários que estão integrando a legião está sendo gerido
pelo adido militar da embaixada da Ucrânia, na França. Também a embaixada da
Ucrânia, em Lisboa, alega que, por agora, não tem ainda dados sobre os
portugueses.
O
certo é que nos últimos dias são vários os ex-militares, em particular
ex-comandos e ex-paraquedistas, que nas redes sociais falam da sua ida ou
da de colegas para a Ucrânia, de forma a integrarem o exército e lutarem
contra a Rússia. Muitos estão até pedindo ajuda para tentar reunir dinheiro
para a viagem, pois esta tem de ser paga pelo próprio voluntário.
É
o que está a fazer o ex-comando Nuno M., que no seu Instagram colocou um
telefone para onde se pode enviar dinheiro.
Segundo
as orientações que são divulgadas pelas autoridades ucranianas, há sete
passos a dar para se combater: contatar a embaixada; ter documentação e
equipamento, se recomendado; entregar os documentos na embaixada e submeter-se
a uma entrevista; escrever um documento para se alistar na legião; receber as
instruções sobre a ida para a Ucrânia; fazer a viagem e, quando chegar,
pode então se juntar aos milhares de estrangeiros que lutam ao lado dos
ucranianos.

Mas
não gostamos da guerra. Estamos aqui pela Paz", garante o brasileiro Andé K.
Conteúdo: CNN Portugal
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