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Dotado de uma voz tonitruante e um sentido lírico único, o cantor e compositor Zé Ramalho foi responsável por um dos capítulos mais instigantes da música popular brasileira de raízes nordestinas. Influenciado pela poética dos  Beatles e dos Rolling Stones entranhada com  as referências absurdas de repentistas como Zé Limeira e Pinto do Monteiro, o  paraibano recheou suas letras com doses de realismo fantástico típicas do imaginário coletivo nordestino. O resultado é a fusão moderna de rock, com o xaxado, galope e beira-mar.

Como Alceu Valença, Lula Côrtes, Fagner e Pessoal do Ceará, Zé Ramalho utilizou a instrumentação elétrica e eletrônica para dar uma roupagem universal a seu música. Aliado a estas inovações soube priorizar o timbre da viola em seus discos.

 

Nascido em 03/10/49, na  cidade de Brejo do Cruz, nos confins do agreste paraibano, José Ramalho Neto, o Zé Ramalho, perdeu o pai, um poeta, e o avô, um coletor de  impostos, e se criou nessa calma cidadezinha com poucas ruas e uma enorme pedra dominando o cenário, dando-lhe  uma estranha e impressionante atmosfera. Depois de perder o pai aos dois  anos de idade, afogado num açude, foi criado pelo avô.   Ainda garoto, começa se interessar pela Bíblia,  mitologia greco-romana e literatura de cordel. Saiu ainda garoto, aos 10 anos, para morar em Campina Grande, centro industrial da Paraíba, onde já acontecia um agito cultural mais significativo que o da capital, montando o grupo de iê-iê-iê "Os Jets".

 

          Jovem Guarda Nordestina

 

Aos 15 anos vai morar na capital João Pessoa, onde dá continuidade a sua formação musical. Seu envolvimento com a música remete a esse período da adolescência onde se envolve como guitarrista em diversos grupos locais da Jovem Guarda, como "Os Quatro Loucos", "Os  Gentlemen" e "Elis e os Demônios". Dentro da cabeça do jovem Zé Ramalho, a bagagem da cultura nordestina  repousava em estado latente.

Como a maioria dos jovens,  estava mais interessado no rock dos Beatles e no movimento da Jovem Guarda, sendo parte da "banda da casa", quando Roberto Carlos e sua trupe se apresentavam em João Pessoa e vizinhanças.

 

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